6 horas de trabalho por dia? Como tem funcionado na Suécia?


Em 2015, a Suécia decidiu implementar no país o regime de 6 horas de trabalho diário, substituindo as vulgares 8 horas de actividade laboral. Esta nova alteração foi experimentada em diversas empresas, quer de carácter público, quer de natureza privada e os resultados foram bastante positivos, levando o país a alargar esta modalidade a todo o território.

No país, esta alteração não é nova. Há cerca de 10 anos, o centro de serviços Toyota adoptou esta medida afectando positivamente os seus funcionários: os resultados económicos foram satisfatórios e os empregados sentiam-se mais felizes. Além da correlação económica existe uma componente de influência na vida dos trabalhadores. Com mais duas horas diárias livres, os suecos têm mais tempo para a família, para o lazer e para cuidados de saúde como a prática de exercício físico. Com a valorização da qualidade de trabalho em detrimento da quantidade, os suecos dizem estar mais concentrados e focados na sua actividade profissional, deixando mais facilmente de lado a consulta do feed de notícias no Facebook ou a timeline do Twitter, por exemplo.

O maior site de empregos na Suécia, Indeed, revelou que não existiram pesquisas nem ofertas de emprego que contivessem a alteração de 6 horas de trabalho diário. O número de anúncios de

trabalho com “horários flexíveis” tem permanecido constante ao longo dos últimos 2 anos e o número de pesquisas por estes termos chegou mesmo a declinar. 

Segundo a responsável do site, este dado não significa que a medida seja um mito, mas mostra a normalidade com que os suecos encararam esta mudança de vida.FlexibleWorking

Além desta característica laboral, os suecos têm 25 dias de férias anuais e 480 dias de licença de parto que podem ser repartidos por pai e mãe. Apenas 1% dos suecos trabalha mais de 50 horas por semana, ou seja mais de 10 horas por dia útil.

Dizem os especialistas que, na Suécia, a flexibilidade de horários deixou de ser um sonho ou um privilégio. É um dado adquirido que os suecos esperam de qualquer emprego.

As empresas que adoptaram a medida ainda não divulgaram qualquer relatório sobre o impacto da mesma na produtividade. Vários psicólogos dizem que o único risco será que a condensação do trabalho nas 6 horas aumente a pressão para os trabalhadores, mas a teoria oposta é mais recorrente. De acordo com uma das revistas científicas de medicina mais antigas do mundo, a britânica The Lancet, longas horas de trabalho estão intimamente relacionadas com o aumento das doenças cardíacas e AVCs.

Texto de: Rui Sousa
Editado por: Rita Pinto