França: estudantes saem à rua contra reformas no trabalho


Vários pontos de França têm servido nos últimos dias enquanto palco aos protestos que têm levado milhares de franceses às ruas. As manifestações, vigílias e confrontos mais violentos com a polícia têm acontecido como resposta às intenções do governo francês em implementar medidas no sector do trabalho que irão suprimir alguns dos direitos dos trabalhadores em caso de despedimento. 

Os protestos que prontamente saíram à rua, foram liderados por estudantes durante os primeiros dias e chegaram a espalhar-se por mais de 250 localidades francesas. Para além das marchas, cânticos, palavras de ordem e vigílias, os protestantes chegaram a bloquear o acesso a dezenas de escolas com contentores de lixo e peças de mobiliário.

Em declarações à Associated Press, Maryanne Gicquel, porta-voz da Fédération Indépendante et Démocratique Lycéenne, justificou as acções de protesto com a situação precária em que vivem os jovens trabalhadores no país, “uma sucessão de estágios e trabalhos mal pagos”, como descreveu. Recordamos que, em França, os níveis de desemprego rondam os 10% enquanto o desemprego jovem chega aos 24%.

Pela Internet já circula uma petição contra a implementação das reformas que já foi assinada por mais de um milhão de pessoas.

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“Nuit Debout” (Up All Night)
Apesar do mote para a união de populares ter sido dado pelos infames projectos de reforma no sector do trabalho, milhares de pessoas acabaram por se juntar às manifestações na Place de la République para defender uma mudança mais abrangente.

Durante o passado fim de semana foram cerca de 60 as cidades francesas que receberam acções de protesto onde se fizeram ouvir palavras de ordem em nome da igualdade e contra a austeridade, a globalização, as privatizações e políticas mais hostis contra refugiados. O movimento, intitulado “Nuit Debout”, chegou a sintonizar-se com outras iniciativas semelhantes na Bélgica, Alemanha e Espanha que acabaram também por montar acções de protesto nos seus países.

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Em resposta às manifestações e como forma de demover os protestantes dos espaços ocupados, o governo francês já anunciou através do primeiro-ministro que irá alocar cerca de 500 milhões de euros em “subsídios para jovens licenciados à procura de trabalho e ajudas para outros aprendizes e estudantes.”

Durante os 11 dias em que o “Nuit Debout” ocupou as ruas de França com sucessivas acções de intervenção política, surgiram canais de TV e rádio próprios que se destinaram a reportar tudo o que se passava nas zonas por onde se fixavam os manifestantes.

Apesar de terem sido dispersados dos locais onde se fixaram, o movimento promete voltar a fazer-se ouvir nos próximos tempos.

Podes seguir o Twitter oficial do “Nuit Debout”, aqui.