Há adolescentes a comprar erva… no Tinder


As redes sociais deixaram de ser apenas o mundo virtual da partilha de fotografias e do estabelecimento de interacções sociais. O tráfico de droga é uma realidade em crescimento nestas plataformas e junto das gerações mais novas, para os quais se remete toda a atenção e interesse de presumíveis traficantes. O Instagram, o Tinder, o Kik (aplicação de mensagens instantâneas) e o Depop (aplicação de compras online) são as redes sociais, em que já se verificou o fenómeno de venda e compra de drogas.

Tudo pode começar por uma simples hashtag como #weed4sale ou inclusive com o nome da própria droga que se pretende adquirir, por exemplo, #mephedrone. Da mesma forma que um interessado pode tentar obter a droga através das ferramentas das redes sociais, um vendedor/traficante poderá ter o mesmo método e ficar saber se tem interessados, por ventura aliciar até alguns jovens. O estabelecimento do contacto é feito entre ambos e o pagamento ocorre via online ou cara a cara com o próprio traficante.

A tipologia das drogas encontradas e registadas nas plataformas mostra a sua diversidade: desde medicamentos de prescrição médica até às drogas mais leves e pesadas. Existem ainda à venda alguns fármacos utilizados como hormonas nos processos de mudança de sexo.

Se o perigo pode centrar-se nos componentes das drogas, muitas vezes desconhecidos do público, o “negócio” comporta igualmente sérios riscos com a falta de transparência do pagamento. Pode não ser possível saber a quem se pagou, se a droga será realmente adquirida e que tipo de consequências legais estarão realmente em causa, uma vez que determinadas drogas são legais em alguns países e noutros locais, o cenário é completamente diferente.

Ao The Guardian, fontes do Instagram e do Kik afirmaram que a prática de venda e compra de drogas é inaceitável e encorajam os seus utilizadores a denunciar as páginas e os indivíduos envolvidos. Para já, as redes sociais somam milhares de utilizadores a uma tendência em crescimento, simultaneamente nas malhas da justiça e da moda, como nos mostra, a hashtag #GirlsWhoSmokeWeed.

Texto de: Rita Neves Costa
Editado por: Mário Rui André