IndieLisboa 2016: ‘Ce Sentiment de L’été’


O realizador Mikhael Hers marcou presença no Grande Auditório da Culturgest para apresentar o seu mais recente filme, Ce Sentiment de L’été, no IndieLisboa. Um saudoso retorno com um novo trabalho que foge no ao final convencional dos filmes do tipo, ao mesmo tempo que nos conquista pela bem conseguida alternância entre o francês e inglês nos diálogos entre as personagens.

O Verão é usado em Ce Sentiment de L’été como a altura proporcionadora e convencional de amores e despedidas, de aproximações e separações. É em três Verões diferentes, em países também eles distintos, que os protagonistas Lawrence e Zoé, irão lidar com a perda de alguém que lhes era comum.

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A morte de Sacha é o fio condutor de uma história que, sob as propositadas cores vivas da estação quente, nos tenta mostrar como se vira a página, como se esquecem laços (ou não se esquecem de todo). Lawrence, o namorado que se tenta afastar do que o liga à memória de Sacha sem nunca o conseguir é a presença mais triste e silenciosa do luto. Protagonizado por Anders Danielsen Lie, o actor nunca chega a criar uma ligação, contrastando com a irmã de Sacha, Zoé, interpretada por Judith Chemla, uma força da natureza e transporte de alegria, a cor em toda a história.

É impossível não ressalvar no filme de Mikhael Hers uma certa delicadeza na forma como no interior de cada personagem encontra o que (não) tem de ser dito.

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Como se não bastasse tudo isto, podemos ainda contar com Mac DeMarco em ecrã durante alguns minutos interpretando dois temas. Mac faz de si mesmo no filme aparecendo como amigo do lunático e filosófico Thomas (amigo de Lawrence) que nos proporciona alguns dos melhores diálogos e momentos do filme.

A complexa natureza que deriva do luto é neste filme trazida com uma sinceridade assinalável e uma delicadeza própria dos filmes independentes, livres de correntes narrativas limitativas e óbvias. Como se lida com a ausência de alguém com quem se tinha um laço tão forte? Cada um à sua maneira, seguindo com a vida como quer parecer indicar uma tabuleta de trânsito que com uma seta indica “One Way”, já na recta final da película.