Metade da Grande Barreira do Coral está morta ou a morrer


Branqueamentos de corais em massa têm sido detetados em toda a Grande Barreira de Recifes de Coral, o que pode significar a perda eminente deste ecossistema subaquático. A comunidade científica aponta para as alterações climáticas e respectivas más decisões político-económicas, como as principais responsáveis.

Quando a água aquece demais, as algas que vivem em simbiose com os corais, e lhes dão os tons coloridos, começam a produzir substâncias tóxicas e os corais acabam por as expulsar, o que pode levá-los à morte, além de os deixar esbranquiçados.

Se a temperatura entretanto baixar, os corais ainda têm hipótese de recuperação, mas os relatórios dizem-nos que em muitos lugares isso não está a acontecer. Apesar de ter ocorrido recentemente um fenómeno de El Nino, o mais forte nos últimos 20 anos, os cientistas apontam que a principal causa são as alterações climáticas.

“Nunca vimos nada antes com esta escala”, revelou Terry Hughes, porta-voz da Taskforce Nacional sobre o Branqueamento dos Corais à agência Reuters, “é como se dez ciclones tivessem chegado à costa ao mesmo tempo”. Hughes faz parte de uma equipa que faz monitorização da Barreira, considerado Património da Humanidade, e alerta que neste momento, 50% dos corais “já morreram ou estão a morrer”.

A Grande Barreira de Coral prolonga-se por 2300 quilómetros, entre a costa Nordeste da Austrália e Papuásia-Nova Guiné, e é o maior ecossistema vivo. O ministro do Ambiente da Austrália, Greg Hunt, rejeita que o pior já tenha passado. “É um fenómeno grave. Levamo-lo a sério.”

Apesar da preocupação com as questões ambientais, a Austrália tem continuado a apoiar projectos relacionados com os combustíveis fosseis e a indústria do carvão, algo que membros da Greenpeace já condenaram publicamente. Está previsto que a questão dos corais coloque pressão no primeiro-ministro Malcolm Turnbull, em época de eleições federais.

Além do desastre ambiental, tais fenómenos afectam as economias locais. Cientistas australianos revelaram à agência Reuters, este mês, que apenas 7% da Grande Barreira de Coral não está afectada pelo branqueamento dos corais. Esta paisagem subaquática atrai turistas de todo o mundo e gera uma receita que ronda os 3900 milhões de dólares. A morte dos corais pode significar a perda deste lucro por completo.

Texto de: Diana Tavares
Editado por: Mário Rui André