Nada de relevante encontrado no iPhone que o FBI desbloqueou


Após uma longa história entre FBI e Apple e um desfecho atribulado, começam a surgir mais detalhes acerca da operação que levou a um conflito de posições políticas e jurídicas entre as duas entidades.

A acção de desbloqueio do telemóvel por parte do Federal Bureau of Investigation (vulgo FBI) custou aos cofres do Estado norte-americano mais de 1 milhão de dólares. A informação foi revelada pelo director da instituição aquando da sua participação numa conferência sobre segurança organizada em Londres. James Corney não desvendou a quantia exacta, mas utilizou o seu salário no FBI como escala. O responsável afirmou que a operação custou mais do que o total dos vencimentos que o mesmo irá auferir até ao final das suas funções. Tendo Corney mais sete anos e quatro meses de mandato, e recebendo anualmente 185 100 dólares, as contas são fáceis de fazer.

Uma fonte judicial disse à CBS News que até agora não encontrou nada de relevante e/ou significante no telemóvel de Syed Rizwan Farook. Contudo, o FBI continua a investigação em volta do aparelho.

Uma coisa é certa, para a instituição do Estado, a operação de desbloqueio não foi em vão. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos comunicou no dia 23 de Abril que voltou a desbloquear um telemóvel sem ajuda da Apple. A acção ocorreu no âmbito de uma investigação de drogas em Nova Iorque e tinha como objectivo aceder a dados contidos num iPhone. Emily Pierce, porta voz do Departamento de Justiça, afirmou que estas acções traduzem-se na capacidade de aplicação da lei e no acesso a dispositivos importantes – resultado de decisões dos tribunais, e não a utilização de um precedente judicial.

A troca de opiniões e declarações prometem não morrer com a resolução do caso. O FBI, em declarações oficiais, confirmou não partilhar com a Apple o modo como entrou no telemóvel do protagonista dos atentados em San Bernardino. Assim, e sem a partilha de falhas na segurança dos telemóveis por parte da entidade de segurança do Estado, está aberto o precedente e a suspeição perante a empresa de Tim Cook.

Como mencionou a Shifter anteriormente, este caso poderá definir o futuro da privacidade digital. Cooperação e diálogo precisam-se neste debate, sem nunca esquecer a delicadeza do problema.