Os livestreams no Facebook estão disponíveis para todos, mas ainda não dão dinheiro


Já recebeste alguma notificação a dizer que alguém estava em direto? Em Portugal, dá-se os primeiros passos e testam-se fórmulas: o Expresso utiliza-o frequentemente, para dar os destaques do Expresso Diário; a informação da RTP, nomeadamente João Fernandes Ramos e o seu Jornal 2, da RTP2, também já o utilizaram; e temos ainda o caso dos humoristas como Rui Unas, Nuno Markl ou Luís Franco Bastos.

Na semana passada, o Facebook disponibilizou os vídeos em direto para todos os utilizadores. Sim, já podes fazer o teu próprio canal de YouTube em direto com o Facebook Live, podendo convidar amigos a assistir ao vídeo. Podes fazê-lo para todos ou então apenas para grupos ou eventos específicos em que estejas inserido. Vão existir filtros e também um mapa para saber de onde são emitidas as transmissões em direto. Contudo, esta ferramenta vai ser apenas uma forma de cimentar a relação com as audiências ou pode vir a ser uma fonte de rendimento?

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Para já, a resposta a esta pergunta vem lá de fora. Num artigo para o The New York Times, os jornalistas John Herrman e Mike Isaac revelam que as visualizações são muitas, mas o dinheiro a entrar é pouco. Nos EUA, o Facebook Live já é usado em todo o lado. A reportagem relata o caso específico de um jornalista de meteorologia que conseguiu mais audiência no Facebook de uma estação local do que no próprio canal. Os números falaram por si e deixaram boquiaberto o social media manager do canal.

A ferramenta está disponível há poucos meses, mas parece ligar os três vértices de um triângulo desejado: consegue atrair visualizações para vídeos em direto online, principalmente no mobile, chegando à enorme audiência que são os potenciais 1,6 biliões de utilizadores. Para chegar à quadratura do círculo só falta monetizar o fenómeno. A concorrência pode ser, à primeira vista, muita, mas os número de utilizadores do Facebook cobrem o avanço do Periscope (Twitter), do Snapchat, ou mesmo do YouTube.

Para Liz Heron, editora executiva do The Huffington Post este “parece ser um passo transformador”. Tanto que o sector da empresa responsável pelo audiovisual já se adaptou às novas realidades de streaming em directo no site e pode agora vir a fazê-lo no mobile e, em específico, no Facebook Live. Ao todo, o Huff tem 79 páginas ativas no Facebook e já experimentou o vídeo em directo em todas, desde entrevistas com celebridades a eventos de música em directo. Coincidência ou não, Liz Heron saltou do Wall Street Journal para o Facebook e depois para o The Huffington Post, podendo mostrar que a aposta do jornal nesta ferramenta não é inocente, até também por alguma informação privilegiada que a editora possa ter.

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O dinheiro pode chegar de várias formas: tornar o serviço pago por subscrição, cobrar por eventos específicos ou então pela mais comum, a publicidade antes dos vídeos, como usa o YouTube. No entanto, para já, o foco do Facebook tem sido chegar ao maior número de utilizadores possível. Sobre como partilhar os lucros, a empresa de Mark Zuckerberg é vaga: “temos o compromisso de encontrar um modelo sustentável de lucro para os nossos parceiro que partilhem vídeo em direto”, disse o diretor do produto, Fidji Simo. Esta filosofia de primeiro cimentar e só depois tirar daí dividendos é desesperante para os empresas de media que lutam dia-a-dia para não terem saldos negativos.

De acordo com o mesmo artigo do NYT, o Facebook vai apresentar mais funcionalidades e parceiros do Facebook Live na conferência F8, em São Francisco (EUA), no final deste mês. As novidades podem trazer benefícios para as empresas de media. Até lá, podem contentar-se com um fator crescente: com o See First e o Facebook Live, os media reconquistaram o espaço do news feed outrora perdido por mudanças no algoritmo.