Sequin arrasou na apresentação de ‘Eden’ no Musicbox


Dia 1 de Abril é o dia das mentiras, mas este ano foi também o dia da Sequin e do lançamento do seu novo EP no Musicbox.

Numa noite abafada por um Musicbox a rebentar pelas costuras, tivemos Sr. Inominável a estrear as colunas. Esta dupla, formada por Pedro Rio-Tinto e Ricardo Lemos, veio de Viana do Castelo para fazer o aquecimento para o concerto de Sequin.

Sr. Inominável apresentaram um Indie Rock muito na onda do que se tem visto em Portugal nos últimos anos. Acompanhados por batidas virtuais pré-programadas, sentiu-se a falta de um baterista em carne e osso, no entanto, e apesar de alguma timidez, o dueto teve uma prestação consistente que foi o início perfeito para um resto de noite feita para dançar.

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Após Sr. Inominável, começou o tão esperado concerto de Sequin. A set list, que intercalou músicas do primeiro EP, Penélope e do novo, de seu nome Eden, inicia-se com “Meth Monster”, primeira faixa do primeiro álbum. Música exímia para começar um concerto, com uma mística e energia bem calibradas.

A noite continuou, virando-se para “Monolith”, terceira música de Eden. A verdade é que foi com esta faixa que se começou a notar uma clara diferença entre a Sequin de 2014 e a de 2016. Cresceu e encheu o palco, com uma presença e um sorriso sempre contagiantes.

O que marcou a noite de forma muito positiva foi o dinamismo trazido por duas bailarinas em palco. Sara Ferraz e Carla Madalena dançaram lado-a-lado, com Sequin pelo meio, conseguindo criar uma vibração, por vezes descoordenada, envolvida em sensualidade e contemporaneidade que abraçou muito bem o set.

 

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Seguiram-se os temas “Flamingo” e “Naive”, os mais conhecidos da artista. “Ellipse” foi o tema que mais fez a casa vibrar, marcado pelo baixo de Tiago Martins. Por entre outras tantas músicas, houve ainda tempo para o encore, que contou com “Beijing” e um cover da famosa “Physical” de Olivia Newton-John.

Dado o relevo que Sequin tem ganho, falámos com Ana Miró sobre o EP, o que ele e o seu trabalho significam e o que virá desta artista que tem dado muitas cartas na cena electro pop.

 

Porquê o nome Eden? Tem uma história por detrás?

Eden porque é um regresso à origem de Sequin. A maior parte das músicas foram compostas antes de sequer pensar o projecto, antes do Penelope. É um olhar para trás, lembrar o sítio onde tudo começou, numa altura em que tudo era possível.

Sentes que o teu trabalho está mais consistente?

Sinto que houve algum crescimento de um trabalho para o outro, são melodias mais maduras, temas mais introspectivos. Acho que o EP em si está bastante consistente, quer em termos de temática como em termos melódicos e de produção. É um todo que faz sentido.

Que evolução representa Eden relativamente aos teus trabalhos anteriores?

Acho que é um evolução na maneira de concretizar a minha música, foi sem dúvida um desafio tentar orquestrar este EP em casa, com poucos recursos, mas tentando não descorar na qualidade sonora da coisa. Houve também uma desconstrução na composição e estrutura dos temas, muito diferente do que eu havia feito no Penelope por exemplo, acho que demos às músicas aquilo que elas pediam, tentámos que soassem àquilo que são na sua base.

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Quais são as características, enquanto artista, que te diferenciam no teu meio?

Não faço a mínima ideia, a única coisa que sei é que faço música porque é o que mais gosto de fazer, é algo natural e até inevitável. Faço isto porque me divirto e gosto de partilhar este meu gosto pela música com os outros, não sei se isso me diferencia ou não, mas é das poucas certezas que tenho na vida.

Que música, do novo EP, tem mais significado para ti?

Todas têm muito significado para mim, fazem todas parte das minhas vivências, mas posso dizer que talvez a “SVU” seja uma música que me toca muito, sempre, todas as vezes que a canto. É uma música muito triste, mas muito bonita, com um toque de esperança. Mas também gosto muito da “Ellipse”, é uma música que me relembra que é necessário olhar em frente, apesar da frase ser “I won’t look back”, têm aquele quê de irreverência e uma certa força, que acho que está bem espelhada no beat.

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Como está a correr a digressão?

Está a correr bem, fizemos até agora 3 concertos, dois deles em Lisboa e no Porto que foram mais decisivos, correram muito bem e tivemos sempre sala cheia. Eu já tinha muitas saudades de tocar ao vivo, e este EP foi sem dúvida um desafio, porque não foi produzido a pensar nisso, teve de haver muito trabalho de ensaio em banda para que as coisas se alinhassem e fizéssemos jus às versões gravadas.

Que trabalhos tens planeados para o futuro?

Por agora vou estar a apresentar o Eden, e depois devo começar a pensar no próximo trabalho, que em principio será um álbum, já estou a compor músicas novas e a fazer algum trabalho de pré-produção.