‘Tale of Tales’


 

Já faltava um conto de fadas europeu, sobretudo com o realismo com que Matteo Garrone trouxe este Tale Of Tales. O filme é baseado na obra literária do napolitano Giambatista Baile Lo cunto de li cunti overo lo trattenemiento de peccerille, que também serviu de inspiração, por exemplo aos irmãos Grimm, e a alguns dos contos mais conhecidos de sempre.

Não deixa de ser um passo inesperado por parte de Garrone, o realizador de Gomorra filme que em 2008 fez sucesso pela sua visão contemporânea e realista sobre a mafia italiana e que viria a dar origem à série de sucesso com o mesmo nome. Mas tudo encaixa na obra de Matteo Garrone e o realismo visual, a visceralidade na forma de contar o tema que vimos em Gomorra, é também um dos factores de destaque em Tale Of Tales.

O seu primeiro filme em língua inglesa fala-nos de três contos em reinos distintos. O realizador contou com um cast repleto de estrelas conhecidas por todos nós. Salma Hayek e John C. Reilly são o casal real de um dos reinos e desejam a todo o custo ter um filho, algo apenas possível graças a um feiticeiro que lhes diz o que fazer. Noutro reino, temos Toby Jones que se esquece quase por completo da sua filha e se afeiçoa a uma pulga que começa a tratar como animal de estimação. E por último temos Vincent Cassell, um rei libertino com hábitos desregrados que se apaixona pela voz angelical de uma mulher que na realidade é bem mais velha e não tem a imagem por ele idealizada.

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Todas estas histórias se ligam de alguma forma e dão origem a uma mistura saborosa, que dá prazer ver, com momentos de humor que sabem usar o realismo a seu favor.

Sem os convencionalismos dos tais “contos de fada” que a Disney tem descaracterizado ao longo das últimas décadas (a última das vítimas foi Malefica, já sem muito de maléfico em si), Tale Of Tales traz-nos uma versão que já fazia falta. Sem medo de ser realista, sem pudores, Tale Of Tales de Garrone recusa-se a ser o típico filme de fantasia negando-se quase por completo a um CGI e aproveitando tudo o que palpável, humano e real pode haver numa história destas, sem se negar também à violência (visual ou não) de algumas cenas.

Tale Of Tales não é para público Disney e é de se salutar esse factor. Só temos pena que não se tivesse prolongado um pouco mais pois ainda havia muito por explorar nas histórias.

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