Uma cadeira vazia, um lugar numa universidade norte-americana


A educação nos Estados Unidos da América é uma das mais conceituadas do mundo, onde as faculdades, mais do que o currículo académico, representam quase uma marca na vida de milhares de estudantes. A maioria são instituições privadas, cujo valor exorbitante das propinas mergulha os jovens em empréstimos bancários e esforços redobrados para se manterem no ensino superior. Mas para algumas, nem mesmo o prestígio impede as cadeiras vazias. A Universidade de Western Kentucky e duas universidades em Oklahoma (University of Central Oklahoma e The University of Oklahoma) são instituições públicas, que segundo o The New York Times, podem estar a utilizar publicidade “agressiva” para captar a atenção de alunos estrangeiros.

Os painéis publicitários em países como a Índia chamam a atenção dos jovens estudantes, com condições aprazíveis para se estudar nos Estados Unidos, como por exemplo, bolsas de estudo no valor de 17 mil dólares. As universidades têm ligações com empresas de recrutamento indianas como a Global Tree Overseas Education Consultants e a Study Metro, parcerias que demonstram a naturalidade com que este sistema se está implementar na educação norte-americana: o trabalho feito é pago por comissão pelas universidades e tem levado centenas de estudantes até aos EUA.

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Se à primeira vista, parece a oportunidade perfeita para que jovens indianos realizem o seu american dream, alguns professores e profissionais da área alertam para a falta de preparação de muitos relativamente ao domínio da língua inglesa. A eficácia do aproveitamento escolar revela-se diminuta e leva a crer que se está perante uma técnica de compra e venda de produtos, sem olhar às consequências.

Embora a internacionalização seja o lema de muitas universidades norte-americanas, a falta de acompanhamento dos alunos estrangeiros verifica-se e é inclusivamente apontada pelo presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Western Kentucky, Jay Todd Richey, ao The New York Times. O preenchimento de lugares vazios parece ser uma necessidade urgente, todavia tanto as empresas de recrutamento como as universidades afirmam existir medidas para que os alunos sejam totalmente integrados no plano educacional dos Estados Unidos.

A tendência parece já ter alertado, em 2011, algumas associações ligadas ao ensino superior norte-americano, porém as medidas preparadas para impedir a moda nunca chegaram a vias de facto. Desde há 5 anos, que a publicidade “agressiva” das universidades norte-americanas continua a aumentar e a pressa em preencher cadeiras vazias com alunos estrangeiros pelo prestígio internacional em detrimento da sua inclusão e acompanhamento é uma realidade cada vez mais presente. A acção de guerrilha das universidades acaba por ter o efeito oposto e pela suposta notoriedade, diz o The New York Times que as instituições põem em causa os padrões de ensino.

Foto: The New York Times/Michael Noble Jr.

Texto de: Rita Neves Costa
Editado por: Rita Pinto