Wikileaks revela plano do FMI para provocar nova bancarrota na Grécia


Foi publicado no passado dia 2 de Abril, pelo portal Wikileaks, uma alegada transcrição de uma conversa mantida por teleconferência a 19 de Março último, entre dois responsáveis do Fundo Monetário Internacional que debatiam formas de levar a Grécia a aceitar mais medidas de austeridade.

Nas oito páginas publicadas, Delia Velculescu, coordenadora da operação do FMI na Grécia, e Poul Thomsen, director do FMI para a Europa, tentam concordar numa estratégia a tomar para levar a Comissão a aceitar novas metas de redução do défice grego, calculadas e propostas pelo FMI e que consequentemente levariam à implementação de um novo pacote de austeridade no país.

Thomsen lembra que no passado as coisas apenas chegaram a um ponto de decisão quando os gregos “estavam a ficar sem dinheiro e prestes a entrar em incumprimento” e acrescenta que esse será, provavelmente, o novo desfecho nesta fase de negociações dado que os próximos tempos serão ocupados com o Brexit, cujo referendo está marcado para 23 de Junho.

Os dois intervenientes falam também na necessidade em reestruturar a dívida grega, projecto para o qual não conseguiram obter aval mas que pretendem levar avante. Para isso Thomsen propõe que o FMI confronte Merkel com uma hipotética saída da instituição da mesa de negociações do terceiro programa de resgate com a Grécia de forma a que a chanceler pondere, entre a sua fragilização junto da sua base parlamentar e a luz verde para que a reestruturação seja uma ideia a ganhar força junto dos decisores.

Como resposta à divulgação destes documentos, Alexis Tsipras já fez chegar junto de Christine Lagarde uma carta onde exige explicações acerca das afirmações feitas pelos funcionários da instituição que dirige.

O primeiro-ministro grego convocou também uma reunião de emergência com Nikos Kotzias, ministro dos Negócios Estrangeiros e Euclides Tsakalotos, ministro das Finanças.

Prokopis Pavlopoulos, presidente da Grécia, também reagiu às transcrições exigindo que o Mecanismo Europeu de Estabilidade tomasse o lugar do FMI nas negociações do terceiro programa de resgate que foram retomadas dois dias depois do leak.