Dentro do “daydream” da Google


Não há dúvidas de que estamos no ano da realidade virtual (ou VR). O muito esperado Oculus Rift e o promissor HTC Vive começaram a ser vendidos num dos últimos meses pela Oculus, empresa detida pelo Facebook, e pela HTC, respectivamente. O Samsung Gear VR tem dado os primeiros grandes passos no novato mercado, onde a Google entrou cedo (e sorrateiramente) com um pedaço de cartão – o Google Cardboard. Entretanto, Sony ultima o seu projecto: a PlayStation VR.

Tudo parecia mais ou menos encaminhado: o Oculus Rift, por um lado, com dois concorrentes à altura – o HTC Vive e a PlayStation VR –; e, por outro, o Gear VR e o Cardboard – as opções mais acessíveis, que recorrem a um telemóvel para processamento de todos os gráficos, e não a um computador. Mas a Google veio agitar um pouco as águas, esta semana.

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A tecnológica detalhou no Google I/O, a sua conferência para programadores, os planos para a área de realidade virtual. Segundo a Google, vão muito para além do Google Cardboard. Google VR é a nova marca de Mountain View para identificar todos os projectos e iniciativas de realidade virtual. Para já, o portfólio da multinacional inclui os óculos de cartão Cardboard e a super câmara 360º Jump. Mas vai ser enriquecido com uns óculos “mais a sério” e um ecossistema baseado no Android.

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Essa nova plataforma chama-se Daydream. O Daydream integra o Android N, a próxima versão do sistema operativo mais popular do mundo, e vai correr apenas em alguns telemóveis aprovados pela Google. Aqui está o principal ponto de diferença relativamente ao Cardboard: enquanto que este é compatível com qualquer equipamento, o Daydream só funcionará em telemóveis com ecrãs e sensores que consigam oferecer uma experiência VR móvel de alta qualidade.

Nesse, a Google está a trabalhar com alguns parceiros como a HTC, Huawei, Xiaomi, LG e Samsung para que os primeiros telemóveis Android com Daydream cheguem já no Outono. Do lado dos componentes, a Google está aliada à Qualcomm e à MediaTek, entre outras fabricantes. Quanto ao software, a empresa vai adaptar as suas apps, como o YouTube, o Street View o Google Photos para o Daydream, e está a trabalhar com a HBO, a Ubisoft e o The New York Times para ajudar a construir o catálogo de apps da plataforma.

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O telemóvel será apenas um dos actores no Daydream. Serão precisos uns óculos especiais para que consigamos ver esta plataforma. E a Google já está a trabalhar neles. O design que a empresa divulgou no I/O não é muito distante do dos equipamentos de realidade virtual que já conhecemos. Todavia, os óculos da Daydream deverão ser acompanhados também de um comando.

À semelhança do Cardboard ou do Gear VR, é preciso encaixar o telemóvel compatível nos óculos Daydream. O que vamos ver, com os mesmos postos, é uma interface que deverá ser também semelhante à que encontramos no Gear VR (equipamento à venda por menos de 100 euros, mas que é compatível apenas com telemóveis da Samsung).

Quem se ri por último, ri-se melhor. O Google Cardboard, quando chegou, não foi levado imediatamente a sério. Mas com o Daydream, a Google tem agora uma promessa muito forte de realidade virtual. É baseado em Android, o maior sistema operativo do mundo, que mais de mil milhões de utilizadores usam. E vai funcionar com os nossos próximos telemóveis. É como o Gear VR, mas para todos. Aliás, a fórmula é praticamente a mesma: uns óculos confortáveis + um bom telemóvel + um comando.

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Ao que tudo indica, a Google vai continuar a investir no Cardboard, como uma plataforma mais básica de realidade virtual. Acima de tudo, a empresa olha para o VR como algo que tem de ser confortável, interactivo, móvel e para todos (isto é, estar ao alcance dos utilizadores). Quer o Cardboard como o Daydream cumprem esse propósito.