Este vídeo explica-te porque Obama é o Presidente mais consequencialista da história recente


Barack Obama é nos dias de hoje alvo de uma avaliação bastante dividida por parte do público, tanto o americano, como o internacional. Em termos de divisão de opiniões, chegou mesmo a ultrapassar George W. Bush. O próprio afirmou em entrevista que isso se deve em parte à polarização dos media que muitas vezes tem pontos de vista muito próprios (caso disso é a FOX News, amada por republicanos e odiada por democratas e liberais). É quase como se hoje em dia não fosse possível obter factos sobre o mundo, apenas perspectivas, não só por causa das várias agendas pessoais por parte de quem cria o conteúdo mas também graças à tecnologia, que ao criar um acesso à informação tão fácil e instantâneo acaba por nos dar demasiadas opções, algumas pouco confiáveis.

A Vox divulgou um vídeo que nos relembra que, para todos os efeitos, Barack Obama é talvez o primeiro Presidente dos Estados Unidos da América das últimas décadas a cair na categoria dos “consequencialistas”, ou seja, dos que marcaram a história e que farão parte dela como protagonistas a longo prazo. No caso de Obama, por variadas razões.

Talvez o acto mais importante do seu mandato tenha sido a introdução de um plano de seguro de saúde nacional acessível por todos os cidadãos, o primeiro de sempre nos Estados Unidos. Durante mais de um século, o direito legal ao acesso a um seguro de saúde foi o objetivo mais forte do progressismo americano, tendo sido a uma luta até mais difícil que outras grandes batalhas como a igualdade de géneros, a igualdade de direitos e/ou a aceitação das comunidades LGBTQ ou negras.

Presidentes como Roosevelt, Johnson, Kennedy ou Nixon tentaram, mas apenas Obama conseguiu, com o famoso (e polémico) Obamacare, um seguro de saúde similar aos que se praticam nos países europeus, isto numa altura em que personagens como Bernie Sanders tentam aproximar a política americana da europeia. Esta será uma das razões que fará com que Barack Obama tenha uma entrada direta na história americana e mundial.

Mas este “Affordable Care Act” (Obamacare) não é de todo o único feito que fará com que daqui a 100 anos o nome de Barack Obama ainda seja falado nas ruas. O Presidente engendrou um acto de estímulo social que visou vários problemas da nação como os do sistema de educação, considerado fechado e extremamente uniforme, disponibilizou grandes verbas para serem gastas em energias limpas, expandiu de maneira significativa programas de combate à pobreza extrema, protegeu cerca de 6 milhões de imigrantes não documentados da deportação, legalizou o casamento de casais homossexuais, facilitou a batalha das mulheres e de grupos minoritários pela igualdade salarial, reestruturou o Departamento da Justiça e tanto o Conselho Nacional de Relações Laborais como o Departamento Laboral de Divisão de Horas e Salário, tornando-os forças efectivas na luta pelos direitos dos trabalhadores.

Independentemente de em alguns casos como a luta contra o HIV/SIDA, a relativa falta de atenção à política monetária ou a falta de punição para criminosos de guerra americanos na presidência de Bush a campanha de Obama não ter sido a melhor, é irrefutável de que os Estados Unidos da América deram passos largos em direção a uma sociedade mais equilibrada, com melhores condições de vida para todos os cidadãos, sendo agora novamente um país que se pode orgulhar de uma evolução no estado social (por quanto tempo, descobriremos em novembro se continua), e isso é responsabilidade da administração de Barack Obama.

E tudo isto para não referir o em-qualquer-outra-circunstância-irrelevante-facto de Barack Obama ser negro. Barack Obama tornou-se o primeiro Presidente negro na história do país, e nestas actuais eleições o único candidato negro (o republicano Ben Carson) não chegou longe. Podemos vir a presenciar décadas sem vermos um Presidente de qualquer minoria novamente, e por muito cliché que isto possa parecer, o facto de crianças negras se poderem comparar à mais alta figura do estado Americano (e por consequência, uma das figuras mais potentes do mundo) traz-lhes uma esperança que até aos dias de hoje não existia, traz-lhes força para acreditarem em si mesmas e acreditarem que é tudo possível. E até por isso, quase sem querer, Barack Obama é responsável.

Tendo dito tudo isto, existem tipicamente dois campos em que os Presidentes se inserem: os mais ou menos bons ou mais ou menos maus mas em última análise “esquecíveis” (casos de Clinton, Carter, Taft ou Harrison), e os largamente consequencialistas, para o bem ou para o mal (Roosevelt, Lincoln, Nixon, Johnson ou Washington). E mesmo que alguns amem Obama e outros o detestem, não há dúvidas de que os seus esforços a nível doméstico e internacional lhe garantem um lugar no segundo grupo.