Google, bora conversar?


Quando pensamos no modo de pesquisar na web, percebemos imediatamente o tão pouco humano ele é. Temos de inserir numa caixa de texto qualquer palavras-chave e depois andar a saltar de link em link, até encontrarmos aquilo que queremos.

Não poderia este processo ser mais natural? Porque é que pesquisar no Google não é como falar com aquele amigo que sabe sempre tudo? A Google tem feito avanços substanciais nesse sentido: não só o motor de busca já é capaz de compreender frases e pedidos complexos, como também consegue interpretar a tua voz. Por exemplo, podes perguntar-lhe que tempo vai fazer amanhã e ele responde-te com um cartão de meteorologia, no topo da lista de resultados. O motor de busca da Google também percebe questões complexas como  “quantas calorias tem um abacate” ou “qual era a população dos EUA quando a NASA foi criada”.

Todavia, ainda há muito que pode ser feito. Com os esforços e avanços recentes na inteligência artificial, o Google Search pode vir a tornar-se muito mais “humano”. Isto não é, de todo, um paradoxo. A inteligência artificial serve precisamente para automatizar processos, dotado as máquinas de capacidades cognitivas, mais ou menos avançadas, para que consigam desempenhar tarefas que anteriormente estavam entregues aos homens.

O Google Now, o assistente pessoal que a Google lançou em 2012 e que promete “a informação certa no momento certo”, foi uma primeira tentativa de capacitar o Google Search de inteligência. Disponível para Android e iOS, o Google Now mostra-te um conjunto de cartões com informação que tem a ver contigo e com o local onde estás: a meteorologia da tua cidade, o trânsito no caminho para casa, horários dos transportes públicos mais próximos, os aniversários dos amigos, as notícias que te podem interessar… A Google usa os dados que lhe dás diariamente (através das pesquisas que fazes no Search, dos e-mails que lês no Gmail ou dos sites que visitas no Chrome) para fazer o teu Google Now funcionar.

O próximo passo da Google é transformar os cartões em perguntas e respostas, entre ti e o motor de busca. Um diálogo, uma conversa, um chat – como lhe queiramos chamar. Tudo alimentado com inteligência artificial, claro. O Google Assistant é esse passo. Um assistente que compreende o que dizes e que te quer ajudar a realizar tarefas, seja a comprar bilhetes para uma sessão de cinema ou a reservar uma mesa num restaurante, por exemplo.

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O Google Assistant não existe como produto singular. Tem duas “existências” (como diz a Google): o serviço de mensagens Allo e o “mordomo” Google Home. Assim, o Google Assistant é uma ideia que, teoricamente, funciona em todo o tipo de dispositivos e contextos, permitindo-te ter um assistente independentemente do local ou contexto onde te encontres. O Google Assistant é o Google de sempre, mas com voz e inteligência. Foi desenvolvido por uma empresa que percebe de motores de busca como ninguém e que passou anos a interpretar e a entender as perguntas dos seus mil milhões utilizadores.

O Google Home é um equipamento activado por voz que leva o poderoso motor de busca Google para qualquer divisão da casa. Podes falar com o Google Home e este vai ajudar-te a gerir tarefas, a divertires-te ou a saber mais. Tudo por voz, em tom de conversação. Através de múltiplos comandos de voz, podes pedir ao Google Home que ponha uma música (o equipamento tem coluna de som), para programar o forno para uma determinada hora, verificar o estado do voo ou mesmo até pedir para ligar as luzes. O Google Home – porque corre o sistema Google Assistant (e, portanto, tem o motor de busca Google integrado) – vai responder às tuas dúvidas e curiosidades, como “quem realizou o filme Gravity” ou “que idade tem a pessoa mais velha da Terra”.

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Semelhante ao Amazon Echo, o Google Home foi desenvolvido para se enquadrar na casa do utilizador e tem bases personalizáveis e com cores e materiais diferentes. O produto será lançado no mercado nos próximos meses.