Ken Loach ganha Palme d’Or em Cannes e critica austeridade na Europa


A cerimónia de entrega de prémios em Cannes ficou marcada pelo discurso político e marcante de Ken Loach, vencedor da Palma de Ouro deste ano com o filme I, Daniel Blake. O cineasta de 80 anos aproveitou o palco mediático e expressou a sua preocupação com as consequências devastadoras que a austeridade tem causado nos países europeus, referindo-se concretamente a Portugal e à Grécia. Afirmou também que o cinema deve ter ter uma vertente de protesto de modo a conter o sofrimento de milhares de pessoas. “É preciso outro caminho”, refere.

A pesada máquina dos Estados que condiciona a vida dos cidadãos foi um dos pontos a que Loach deu atenção. I, Daniel Blake conta a história, em traços gerais, de um marceneiro de 59 anos que sobreviveu a um ataque cardíaco mas que não vai sobreviver à burocracia do Estado Social. O filme comporta um sentimento de revolta pelas condições que hoje se vivem e procura alertar consciências sobre as mesmas.

Já na conferência de imprensa que antecedeu a atribuição do prémio, Ken Loach pautou o seu discurso por uma crítica marcada à União Europeia e ao rumo que a Comunidade está a seguir. Por outro lado, o realizador elogia Jeremy Corbyn, referindo-se ao político como “uma das melhores coisas que aconteceu ao Partido Trabalhista”

Também Hayley Squires, actriz no filme, lamentou a desigualdade actual e o status quo de violência humana que se vive devido à competição feroz na sociedade.