Milhões de Nomes #1: Goat


Todos sofremos uma beca quando começam as confirmações nos festivais – e não são poucos. Há sempre aquela banda que te lixa a carteira e faz-te guardar as férias do trabalho até à última. Queres ter a certeza que estabeleces bem as prioridades e fazes as escolhas certas. Bem, eu tirei férias para o Milhões de Festa. Goat fez peso na balança.

Boa Lovers and Lollypops. Boa confirmação e acima de tudo, bom line-up. Vou lá porque perdi a loucura de The Bug o ano passado, por The Heads, El Guincho, Sun Araw. Muitos dos nossos camaradas portugueses Quelle Dead Gazelle, Jibóia, 10 000 Russos, Marvel Lima e Riding Panico. Muita coisa, não é? Ainda pelo ambiente, as camisas e a piscina. E claro, por Goat.

A banda já tinha andado por cá no Paredes de Coura em 2014. Eu falhei esse, mas não passa desta. Vão ao enorme Primavera Sound dos vizinhos catalães, estão fora do Porto mas presentes em Barcelos. A Lovers fez aqui uma boa aposta, das grandes.

Menino dos padrões, começa a passar a ferro a tua melhor camisa que tens lá para casa, que este vai ser dos bons. Não sei se já ouviste alguma coisa deles, mas não é fácil classificar que tipo de som tocam. Inspirados pelo voodoo do norte da aldeia sueca de Korpilombolo (uma população farta de 529 pessoas), os Goat apresentam-se como uma reincarnação de uma maldição centenária imposta sobre a vila, que se manifesta através de um excêntrico role playing com máscaras primitivas, sim máscaras!

Se não estavas à espera, prepara-te para um verdadeiro ritual em palco. Faz uma coisa, quando estiveres a consumir um pouco de internet, passa pelo YouTube e vê uns lives desta gente marada. Aproveita e tenta meter uma etiqueta ao som que tocam. Sinceramente, eu ainda não consegui. É como um rock absorvente e intrusivo. Um autêntico caleidoscópio de estilos reinventados e absorvidos lá à maneira deles, que nos vai deixar a todos possuídos durante este Milhões. Preparem as drogas, os analgésicos e a colchete na tenda, que a ressaca vai ser das grandes.

Talvez aquilo que ainda os defina melhor, é mesmo o nome do seu primeiro LP  World Music. Sons de todo o mundo e todas as culturas. Às vezes são mais psych, outras mais krautrock ou até mais disco ou doom – e até me fazem lembrar os Electric Wizard. Vais ouvir aquele som fuzz, linhas de guitarra tribais e ainda solos de saxofone. É tudo isto que podes esperar. Muita coisa ao mesmo tempo para processar. Por isso, o melhor é mesmo dançar.

Para além do World Music em 2012, os suecos já contam com um Live e o segundo LP Commune (2014) na prateleira. Começaram por lançar o single Goatman, boa malha, e só depois as longas durações. Não sejas preguiçoso, passa por um Spotify da vida e estuda um pouco a cena. Nem que seja para treinares os teus moves.

Se já andava há algum tempo com o bichinho de ver como será aquilo ao vivo, os Goat também são um dos mais antigos namoros do festival. Foi finalmente no ano que chega à sua sétima edição a revirar a cidade de Barcelos, que a Lovers se muniu com os xamãs que canalizam séculos de comunicação humana. Vou lá estar à tua espera.