O primeiro jornal britânico em 30 anos não durou mais de 9 semanas


“A vida é curta, vamos vivê-la bem.” Quando os autores do New Day pensaram nesta assinatura não esperavam certamente uma vida (tão) curta para o seu projecto editorial. Aquele que foi o primeiro jornal em 30 anos no Reino Unido durou apenas 9 semanas. Saiu para as bancas no final de Fevereiro e teve o seu último número esta sexta-feira.

O New Day procurava oferecer ao leitor uma visão dos acontecimentos mais importantes do dia em meia hora e pertencia ao grupo Trinity Mirror, que detém outros jornais como o Daily Mirror. Editado em papel e sem site (e uma presença nas redes sociais diminuta), o New Day desaparece num contexto difícil para a imprensa, que está em plena transformação devido ao crescimento do digital que tem não só mudado a produção de conteúdos como o seu consumo.

“Apesar de ter recebido muitas opiniões de apoio e construído uma forte base de seguidores no Facebook [quase 50 mil seguidores], a circulação do título está abaixo das nossas previsões. Assim, decidimos encerrá-lo a 6 de Maio de 2016”, lê-se numa nota da empresa.

Responsáveis do New Day esperavam ter resultados de tiragem na ordem das 200 000 cópias por dia, mas os últimos dados apontavam apenas 30 mil jornais por dia. A CNN diz que, com o encerramento da publicação, 25 trabalhadores serão dispensados, enquanto os restantes serão integrados noutras publicações do grupo Trinity Mirror.

“Goodnight, New Day. Yours was the true spirit of journalism: fail again, fail better”, escreve o The Guardian.