Os Dias Contados no Lux


Cheguei ao Lux às 11 horas e entrei de imediato, encaminhado para o piso de baixo. O ar na sala era abafado e a expectativa entre as pessoas na plateia era palpável. Pedi uma cerveja para ajudar a passar o tempo até o concerto começar. Os burburinhos sobre “será que vão tocar esta ou aquela” iam-se instalando enquanto as pessoas faziam o mesmo.

Os bilhetes para o concerto esgotaram-se vários dias antes da data, e mesmo que alguém presente na sala naquele momento não estivesse a par desse facto rapidamente chegaria a essa mesma conclusão, bastando-lhe olhar em seu redor. O que não é de estranhar, tendo em conta que foi Capitão Fausto Têm Os Dias Contados que trouxe todas aquelas pessoas ali: “Amanhã Tou Melhor” e “Morro na Praia”, os singles que precederam o álbum, são duas das mais contagiosas músicas lançadas este ano.

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Começaram-se a ouvir aplausos e uivos, e os capitães entraram em palco. As luzes extinguiram-se um pouco, o Salvador fez um pequeno fill na bateria e o concerto começou. “Morro na Praia”, que abre o novo disco dos Capitão Fausto, foi a música que inaugurou aquela noite. E a escolha não foi nada descabida: no final da música a banda já tinha conquistado a audiência e pôs-nos todos a cantar os lalalas do refrão. Pela segunda malha voltou-se ao álbum anterior com “Célebre Batalha de Formariz” e já havia uns intrépidos a fazer crowdsurfing. Com “Os Dias Contados” a banda conseguiu o feito curioso de meter as pessoas naquela sala a cantar alegremente “Eu vou morrer/ eu vou morrer”. “Semana em Semana” deixou acalmar um pouco e acabar a minha segunda cerveja.

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A setlist foi um regalo para os fãs que acompanham a banda desde o Gazela, com presença de “Verdade” e “Supernova”, “Litoral” e “Maneiras Más” entre outras, intercaladas por material do novo disco. Dada a reacção da plateia às músicas mais antigas da banda, parece que estas vão ter sempre um apreço especial por parte dos fãs, por mais álbuns que a banda lance nos próximos anos.

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Apesar de não se ter estabelecido uma grande comunicação verbal entre a banda e as pessoas que assistiam, a adesão do público às músicas nunca abrandou, e os Capitão Fausto puderam contar com vozes secundárias da parte da audiência durante todo o concerto. Com a troca da guitarra eléctrica de Wallenstein por uma acústica, tocou-se a “Amanhã Tou Melhor”; à minha volta ouvia-se uns “vou masé decidir” desafinados, e ninguém conseguia decidir se acompanhava a voz principal ou as vozes secundárias.

A noite ainda teve direito a encore, onde o público ofereceu (ou melhor, atirou) estupefacientes para cima de Francisco Ferreira, despedindo-se a banda com “Nunca Faço Nem Metade”.

Fotos: Nuno Diogo/Shifter