‘Raving Iran’: quando a música electrónica é uma paixão proibida


Anoosh e Arash são dois DJ’s iranianos que todos os dias enfrentam uma lei maldita: a lei que proíbe os cidadãos do seu país de se exprimirem sob a forma de música ocidental. Imposta pelas autoridades, esta regra abrange televisão, rádios e concertos ao vivo. No caso destes artistas, isso significa a morte de um sonho: actuar em festas de techno.

Raving Iran, realizado pela alemã Susanne Regina Meures, conta precisamente a história destes dois DJ’s, envoltos no mundo secreto e underground do tecno iraniano. As imagens expõem as dificuldades, o medo e essencialmente as perseguições policiais que ambos sofrem diariamente. “Uma vez apanharam-me e quase me espancaram até à morte”, ouve-se no trailer oficial do documentário.

Nas mesmas imagens e pela sinopse do filme é ainda possível perceber que Anoosh e Arash organizam uma última festa de techno no deserto enquanto tentam igualmente vender os seus discos. A irreverência dos artistas dá lugar ao aprisionamento de Annosh que acaba por ser libertado mais tarde com um convite emocionante pela frente: a ida ao maior festival de techno na Suiça.

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Sem projecção ainda de quando chegará aos cinemas, sabemos por enquanto que o documentário de Susanne estará patente em diversos festivais internacionais da sétima arte, a serem consultados aqui.

A título de “curiosidade”, nunca é demais relembrar que no mesmo país, em 2014, seis jovens foram condenados a 91 chicotadas após um vídeo viral onde alegadamente apareciam a dançar a música “Happy” do artista Pharrel. Já no Mali, cantar, dançar ou até mesmo jogar à bola tornaram-se acções tão proibitivas quanto é para nós matar alguém.

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