‘Sirumba’ limpou a sujeira dos Linda Martini


A música portuguesa está a passar das melhores fases nestes últimos anos. Vês qualidade e, para mim muito importante, vês quantidade. Devia ser ao contrario? Sim, talvez. Mas muita coisa é sempre bom sinal. Vês vontade de fazer cenas, fazer mais, e acima de tudo, vês fazerem diferente.

Passaram 10 anos desde o Olhos de Mongol, e hoje, vês Linda Martini em muitas bandas. Até pode não ser no som, mas muito na forma de pensar a música. A banda surpreendeu sempre e soube inovar de disco para disco. Se primeiro todos lhes punham o rótulo de pós-rock, em Casa Ocupada responderam com uma cena mais punk-hardcore. Depois Turbo Lento trouxe uma espécie de síntese dos dois. 

Sirumba é o quarto LP dos Linda Martini, e como todos os outros, está diferente. Aquela última onda turbulenta cheia de ruído acabou. Esquece aquela distorção. Agora o som está mais limpo, mais claro, mas não necessariamente mais calmo.

Há quem diga que a coisa está mais pop, e até pode estar, o que importa é que este primeiro disco no novo estúdio Haus, soa bem e a Linda Martini. Tem é menos sujeira.

 A banda conquistou um registo próprio ao longo dos anos. O som no início até tinha tudo para ser de nicho, com malhas como As Putas Dançam Slows ou A Severa, mas acabou por chegar a muita gente. Hoje os Linda Martini são nome grande, enchem o Coliseu e estão para ficar.

É incrível ver como as coisas resultam com o passar dos discos. Conseguiram manter sempre uma das coisas que tanto os distingue, as letras. Liricamente a banda é das melhores coisinhas que ouvimos por cá, e em português. Todos sentiram aquele Unicórnio de Sta.Engrácia, certo? Malhão.

Embora ache que em inglês, e com o estilo e som que fazem, tinham tudo para serem um pouco maiores lá fora. Mas ainda bem que não o fazem. É nacional, é bom e são os Linda Martini.