Uma parte da base de dados do Panama Papers está agora disponível online


Uma parte da informação contida nos ficheiros que deram origem à investigação jornalística Panamá Papers, com dados sobre mais de 200 mil entidades sedeadas em paraísos fiscais, está desde esta tarde disponível num site do Consórcio de Jornalistas.

Em offshoreleaks.icij.org, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) publicou uma base de dados parcial do Panamá Papers às 17 horas (hora de Lisboa) desta segunda-feira. Disponibilizados online, estão alguns nomes de sociedades offshore criadas pela Mossack Fonseca, bem como de personalidades implicadas e respectivos cargos.

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“Os utilizadores poderão pesquisar a informação e visualizar as redes que envolvem milhares de entidades offshore, incluindo, quando possível, os seus verdadeiros proprietários”, lê-se num comunicado do ICIJ. O Consórcio explica que a base de dados divulgada inclui também informação sobre mais 100 mil companhias que fizeram parte da investigação, em 2013, sobre os Offshore Leaks.

O Consórcio refere, na mesma nota, que não foi feito “um despejo indiscriminado de informação”, tratando-se antes de “divulgação cuidadosa de informação corporativa básica, que deve ser pública e transparente”. Ou seja, não foram publicados dados pessoais em massa, registos de contas bancárias e transações financeiras, mensagens de correio electrónico e outra correspondência, passaportes ou números de telefone.

A base de dados agora disponibilizada é de acesso livre e inclui os nomes já difundidos nas notícias, mas também alguns novos. Há referência a 20 nomes de pessoas ou empresas com domicílio fiscal em Portugal relacionas com o estabelecimento de empresas em offshore. Existem também 3 entidades criadas em paraísos fiscais. A informação online dá conta também de 16 moradas que constam nos documentos da Mossack Fonseca, algumas repetidas – são 9 na região de Lisboa, 6 no Algarve e 1 no Porto.

 

Os 2,6 terabytes de informação, parte do acervo da Mossack Fonseca, a empresa responsável pelos negócios offshore, traduzem-se em mais de 11 milhões de documentos que durante um ano foram analisados por mais de 300 jornalistas, numa operação coordenada pelo Consórcio.