Activistas angolanos vão ser libertados


O ‘habeas corpus’ apresentado pela defesa dos 17 ativistas angolanos foi aceite pelo Supremo Tribunal de Angola, que ordenou a libertação imediata dos mesmos.

O Supremo Tribunal de Angola deu provimento ao ‘habeas corpus’ apresentado pela defesa dos 17 activistas angolanos, condenados e a cumprirem pena desde 28 de Março por rebelião, e ordenou a sua libertação, segundo o advogado Michele Francisco.

“Posso anunciar que recebi agora a chamada do Supremo a dizer que vão ser libertados. Está confirmado e vou agora assistir à saída”, disse à agência Lusa o advogado, aludindo à resposta ao ‘habeas corpus’ que estava por decidir desde abril, solicitando que os activistas aguardassem em liberdade a decisão dos recursos à condenação, por rebelião e associação de malfeitores.

Porém, há ainda um sentimento de cautela por parte dos intervientes no processo. Ao Observador, David Mendes, um dos advogados dos activistas, referiu que estão à espera da comunicação oficial da decisão. Também Luis Nascimento, representante de Luaty Beirão disse à Lusa que pretende obter esclarecimentos hoje, visto ainda não ter sido inteirado sobre a decisão. Os advogados que defendem os 17, estão reunidos à frente do Hospital Prisão de São Paulo, em Luanda, aguardando a notificação.

Por parte do executivo angolano, Rui Mangueira,  ministro da Justiça e Direitos Humanos angolano, declarou aos jornalistas que  as decisões do Supremo Tribunal de Angola são para respeitar, rejeitando ainda alguma interferência política no caso.

De recordar que os activistas angolanos foram detidos, há sensivelmente um ano, por estarem a ler e a debater um livro. Após a acusação, os cidadãos entraram em greve de fome por diversas vezes chamando a atenção do mundo para o que se estava a passar em Angola. No culminar do processo estiveram as penas de prisão entre dois anos e três meses e oito anos e seis meses pelos crimes de rebelião e associação de malfeitores.