As relações de Silicon Valley com as primárias norte-americanas


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Há dias, a Google foi acusada de estar a ajudar a democrata Hillary Clinton, a já presumível primeira candidata a Presidente dos EUA. Esta teoria da conspiração, entretanto refutada, leva-nos a recordar a ligação das grandes empresas de tecnologia de Silicon Valley e a política norte-americana.

Clinton tem vindo a ser a favorita dos empreendedores, tendo sido apoiada fortemente tanto em 2006/2007, contra Obama, como agora. Bill Gates, Sheryl Sandberg (Facebook) ou Elon Musk são apenas alguns dos nomes mais mediáticos das listas de financiadores de campanhas. A percepção geral é de que a maioria é liberal e democrata, mas existem dados a contrariar essa tendência.

O caso Google-Hillary

O vídeo faz a acusação, a Google – em resposta – a defesa: a empresa diz que a ferramenta de auto completar as frases de pesquisa dos utilizadores usa como factor a popularidade dos termos de pesquisa, não existindo outro tipo de manipulação. Ou seja, a Google diz que a tecnologia apenas completa a pesquisa com o que foi mais pesquisado até aquele momento. O site Vox surgiu com uma explicação: se procurares por um nome seguido de “cri”, o Google não sugere de imediato “crimes” porque, segundo o artigo, é política da empresa não sugerir a pesquisa de crimes das pessoas. O caso apresentado no vídeo com Hillary era semelhante, contrapondo-o com uma pesquisa por “Donald Trump rac” que rapidamente dava a sugestão de “racist”.

Outra hipótese de defesa é trazida pela CNN: o jornalista David Goldman explica que a Google tem um algoritmo complexo de fact check que protege as pessoas de acusações falsas. A tese de Goldman tem como premissa o facto de Hillary Clinton não ter sido formalmente acusada de nada e, por isso, o algoritmo não alimenta essa informação.

O dinheiro da tecnologia na política

Se há sector que cresceu nos últimos 20 anos foi a tecnologia. Com maior poder económico, os empreendedores começaram também a ter maior influência política e a praticar lobying, legal e regulamentado nos EUA. O site TechCrunch foi atrás dos números e concluiu que a grande beneficiada tem sido Hillary Clinton, seja como senadora seja como candidata pelos democratas, tanto contra Obama como contra Bernie Sanders.

Os dados não são de Maio, uma vez que a instituição que publica os dados financeiras das campanhas tem um atraso de 30 dias, e as grandes doações acabam por ser dadas após as primárias, mas já aqui se percebe que Clinton é a queridinha de Silicon Valley. Ora vamos a números: Chris Sacca doou 100 mil dólares em Março deste ano; Elon Musk e Sheryl Sandberg também já financiaram a campanha; Sean Parker doou 298 mil dólares para Clinton, depois de ter financiado a campanha de dois republicanos. Além destes dados que são conhecidos, houve também a notícia de que num jantar de angariação de fundos, os convidados podiam pagar 353 400 dólares para se sentar ao lado dos Clintons e dos Clooneys.

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Do outro lado da barricada estão Bernie Sanders e Donald Trump, ambos intocáveis pelas principais figuras de Silicon Valley. Nenhum dos doadores que o TechCrunch contactou tinha feito doações a estes dois candidatos. No entanto, Sanders consegue apoios monetários pequenos mas grandes em quantidade: o democrata recebeu mais de cinco mil de doações vindas de códigos postais de Silicon Valley, contra menos de mil de Clinton e apenas sete de Trump.

Uma possível explicação é que os empreendedores mais pequenos (e viajados) são a favor das políticas de Bernie Sanders, muitas delas já ‘normais’ na Europa. No entanto, Silicon Valley tem também uma tendência forte para as políticas de direita neoliberais, principalmente a nível económico e financeiro, mais perto das visões de Hillary Clinton e das grandes empresas que a apoiam financeiramente, para lá do setor tecnológico.

Silicon Valley é mais democrata do que republicano?

Esta pode ser uma falsa perceção por ligarmos os empreendedores a pessoa liberais e extremamente educadas. Um artigo da Bloomberg em fevereiro deste ano nega esse preconceito, revelando o apoio aos democratas e aos republicanos por cada empresa. As conclusões retiradas dos dados são diretas: empresas como a Intel, Yahoo!, Oracle e Cisco apoiam mais os republicanos, enquanto que o Facebook, Google e Apple apoiam os democratas. Estes dados referem-se a uma altura em que os republicanos tinham mais escolhas pelo que Jeb Bush e Marco Rubio foram os que mais receberam. Do lado dos democratas, Clinton bate Sanders em três quartos das grandes empresas de tecnologia.

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A conclusão é novamente a mesma, mas vai mais longe: os dados mostram que as empresas com maior longevidade tendem a apoiar os republicanos enquanto as empresas recentes tendem a apoiar os democratas. No total, Silicon Valley já doou 3,82 milhões de dólares aos democratas contra 2,28 milhões para os republicanos.

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