Cannes Lions 2016: os trunfos portugueses, escolhidos por quem vê de fora


Um leão de bronze. Foi este o balanço da participação das agências portuguesas na última edição do festival de criatividade que se realiza anualmente em Cannes. Uma prestação bastante abaixo do aceitável e que, perante a difícil tarefa de fazer pior, terá que ser melhorada, para bem do ego e da saúde criativa deste nosso mercado.

Assim, depois das apostas dos jovens publicitários para o Cannes Lions 2016, damos lugar a um olhar português com critério internacional sobre as possibilidades reais que os trabalhos criados e produzidos no nosso país terão na edição deste ano. Para isso, convidámos alguns dos jovens criativos portugueses espalhados pelo mundo a avaliar e escolher qual o trabalho que pensam que poderá trazer leões para as prateleiras das agências do nosso país. Ficam os votos para que sejam previsões acertadas e que melhorem significativamente a prestação portuguesa no festival.

“#smarteffect” – Smart

Aquela que parece ser a grande favorita entre as ideias portuguesas a concurso mereceu destaque de mais do que um dos criativos convidados pelo Shifter.

Pedro Lourenço & José Filipe Gomes – DDB Berlim: Para nós, de longe a melhor ideia vinda de Portugal no último ano. Uma ideia do caralho, simples de entender, muito bem executada e relevante para a marca na medida em que é uma demonstração visual literal daquilo que quem tem um smart sente. E ainda tem aquele efeito “wow” que as coisas realmente frescas proporcionam. Esperamos que ajude Portugal a melhorar o registo dos últimos anos.

André Sousa Moreira (Art Director) – Tapsa | Y&R Madrid: Uma ação simples e impactante, que pretende mostrar a facilidade de estacionar em qualquer lugar quando tens um Smart.

João Peixoto (Head of Art) – Dieckertschmidt: A ideia portuguesa do ano. Muito simples, bem focada no maior benefício do produto e bem executada desde o trabalho em si ao case, com tudo na medida certa. Se queremos ganhar mais prémios com trabalho feito em Portugal este é o caminho.

“Charlie Hebdo Box” – Público

Bruna Gonzalez (Associate Creative Director) – RPA Advertising LA: A peça que eu acho que vai ganhar em Cannes é a “Charlie Hebdo Box” da Fuel. Uma “bomba” feita de lápis com a mensagem “Let’s Fight Back” tem todas as características que Cannes premeia: iconicidade, simplicidade e atualidade. A mensagem é poderosa e completamente adequada ao cliente e à (triste) realidade do mundo em que vivemos. Estou a torcer para que estes lápis de carvão tragam estatuetas de ouro para Portugal.

“Come Together” – Harmony

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João Peixoto (Head of Art) – Dieckertschmidt: Por vezes calha a sorte a trabalho mais simples, em categorias mais pequenas. Esquecendo os cases maiores que todos vão referir, esta campanha de print da FCB Lisboa pode ter hipótese de trazer algo para casa pela execução. É o meu palpite de algo inesperado de ganhar, que pode ter sorte. E isso às vezes é o suficiente.

“Safety Video” – Emirates

André Sousa Moreira (Art Director) – Tapsa | Y&R Madrid: Já que todos falam do Smart Effect da BBDO, dou destaque a outro trabalho que merece especial atenção – o Safety Video d’O Escritório para a Emirates. Uma ação divertida que joga com os procedimentos de segurança nos aviões, desta vez, aplicados a um estádio de futebol.

“Ink Mapping” – Desperados

Rui Antunes (Copywriter): Facto 1: Portugal tem dos melhores criativos do mundo. Facto 2: A grande maioria deles não está a trabalhar no país. Facto 3: Todos os anos Portugal, ainda assim, consegue o seu leãozinho no maior festival de publicidade do mundo, Cannes. Este ano esse feito pode muito bem ser conquistado pelo trabalho Ink Mapping desenvolvido pela Funny How e produzido Oskar & Gaspar para a Desperados. Este trabalho para além de muito bem produzido, levou a tecnologia do vídeo mapping para um outro nível, e com isso conseguir ser manchete por todo o mundo. Assim, a possibilidade de um leão pode muito bem multiplicar-se por várias categorias, a Funny How arrisca-se a precisar de contratar um domador de leões no final do festival de Cannes. Esperemos que este ano Portugal continue com o nome cravado na lista de vencedores de Cannes, e se for com o Ink Mapping, tanto melhor.