Christo caminha sobre água na sua nova instalação artística em Itália


Imagina-te a andar em cima de água, qual milagre de separação das águas de Moisés, para andares de ilha em ilha a explorar o norte de Itália, em concreto a zona de Pilzone. A imagem, fruto da imaginação, já é impressionante, mas ver o produto do trabalho de Christo e Jean Claude é ainda mais impactante.

O projecto em laranja-amarelo chama-se “The Floating Piers”, tem cerca de três quilómetros de uma estrutura de material reciclado e junta duas pequenas ilhas. Mas porquê laranja-amarelo? É que a plataforma muda de cor consoante a hora do dia, aumentando o espectáculo da experiência.

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Esta é a primeira obra que o artista Christo apresenta, no exterior, numa década e também após a morte de Jeanne Claude, a sua companheira, em 2009. Ao The New York Times, o curador do projeto diz que este foi um recorde. “Acho que este é um recorde na história dos projetos especiais de Christo porque ele e a sua equipa fizeram-no em 22 meses. Normalmente, demora décadas”, explica Germano Celant. A peça, ao todo, custou 15 milhões de euros, valor financiado pelo próprio artista através da venda das peças de arte originais que fez e faz.

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Apesar do tempo ter sido mais curto, o desafio não foi fácil para o artista búlgaro. A plataforma tinha de ondular muito pouco e de garantir a segurança dos passageiros, mesmo estando afixada a um lago com um fundo desigual.

A criatividade veio de Christo e da sua plural equipa: engenheiros, empresas de construção, mergulhadores e até atletas búlgaros fizeram parte do projeto nas suas várias fases, ao longo de dois anos. “Cada projeto é como um bocado da nossa vida e parte de algo que nunca esquecerei”, confessa Christo ao NYT. Esta é mesmo uma história de uma vida: o projeto foi idealizado há 46 anos pelo casal e agora feito realidade.

Apesar do impacto visual que tem, a plataforma vai ser retirada depois do dia 3 de Julho. Até lá e a partir deste sábado, dia 18, os turistas ou habitantes podem andar sobre a água no lago italiano Iseo. Para quem tiver medo, não há com que se preocupar: o lago será vigiado por seguranças e nadadores salvadores. 16 dias depois, tudo vai para a reciclagem. “A parte importante deste projeto é ser temporário, a questão de ser nómada. A plataforma tem de desaparecer porque o produto não é meu, não é de ninguém. Por isso é que é de graça”, remata Christo.