Janna Jihad tem 10 anos e é repórter de guerra na Palestina


Aos 5 anos viu um amigo morrer vítima de uma granada, já foi convidada para algumas das mais importantes conferências sobre a libertação da Palestina, e é desde os 7 que relata o clima de guerra que se vive à porta de sua casa, em Nabi Saleh, uma vila na Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel.

Janna Jihad tem 10 anos e é certamente uma das mais novas jornalistas e activistas do mundo. Sem querer, o seu caminho para ser repórter de guerra foi-se trilhando muito antes de ter sequer nascido. Sede de um conflito endémico, a Palestina é tradicionalmente uma região ocupada, com guerras territoriais que remontam até aos cerca de 300 anos a.C.

A forma como Janna relata os acontecimentos é a prova de que nem sempre sabemos mais que um miúdo de 10 anos. Nada na história da Palestina é fácil de explicar, nenhum dos conflitos externos e internos daquela região são simples de perceber mas é a forma natural – talvez por ser a sua realidade – com que Janna trabalha as suas reportagens que nos cativa e faz ficar alerta para a situação.

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É na sua página de Facebook que Janna divulga a maioria do conteúdo. É lá que vai partilhando fotos, vídeos e, mais recentemente, entrevistas dadas a vários órgãos de comunicação social por todo o mundo que têm mediatizado o seu trabalho. As suas reportagens são faladas em árabe, mas é possível encontrar vários dos seus vídeos legendados em inglês.

Janna diz que começou com as suas reportagens porque sentiu necessidade de dar voz às crianças da Palestina que vivem opressão de Israel. Afirma que a falta de fotógrafos a levou a pegar na câmara e a contar as histórias à sua maneira.

Com grande parte da comunicação social controlada por governos ou grupos radicais, a Internet e as redes sociais são dos únicos meios disponíveis para espalhar mensagens e opiniões que, muitas das vezes, são as únicas fieis à realidade. Janna tem conta no Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat e Youtube. É uma das mais jovens representantes da chamada “Digital Intifada” e de todos os que tentam, como podem, relatar o que se passa em zonas abafadas pela guerra, cuja liberdade de expressão é mais que reduzida.

Janna continua na escola, sonha estudar jornalismo em Harvard e juntar-se à CNN ou à FOX News, precisamente para alterar a forma como os grandes canais norte-americanos fazem a cobertura do conflito israelo-palestiniano, um conflito que aos 10 anos ela relata como ninguém, com uma verdade e ingenuidade que lhe vai sendo roubada à força.