O Galaxy S7 Edge é perfeito? Não, mas quase


Samsung Galaxy S6, Galaxy S6 Edge, Galaxy S6 Edge Plus, Galaxy Duos, Galaxy S6 Active, Galaxy S6 Mini, etc. O leque de equipamentos “topo de gama” da Samsung era antes criado para chegar a todo o tipo de gostos e até de carteiras. Se isso era algo positivo? Do ponto de vista de opções, sim, sem dúvida, mas a quantidade de equipamentos disponíveis causava ruído em relação aos que realmente mereciam o destaque.

Este ano isso mudou. A empresa sul-coreana aproveitou uma vez mais a MWC para apresentar os seus meninos bonitos, que foram dois: o Samsung Galaxy S7 e o S7 Edge. Até aqui tudo normal, mas o inesperado foi que as novidades destes equipamentos, bem como as diferenças entre si, viessem marcar um novo rumo em relação ao que a Samsung viria trazer para o mercado. Nós falámos disso aqui, directamente de Barcelona.

Afinal, o que faz um smartphone valer mais de 800 euros? Depois de duas semanas de utilização, vamos falar um pouco da nossa experiência no dia-a-dia.

Um todo-o-terreno, mas difícil de “conduzir”

Se falhas havia em relação ao design do Samsung Galaxy S6 Edge, essas falhas foram todas corrigidas com o S7 Edge. O principal destaque vai para as bordas arredondadas na parte traseira, algo muito bem-vindo para um equipamento deste tamanho e que torna muito confortável andar com ele o dia todo nas mãos.

Algo que não é nada “confortável” é a quantidade de vidro que cobre o S7 Edge. Há vidro por todo o lado, e ficas com a ideia de que o telemóvel vai ficar todo estilhaçado na primeira queda que dê numa superfície mais rugosa, como alcatrão ou na calçada. Não nos entendas mal: o S7 Edge é indubitavelmente o smartphone mais bonito que a Samsung já produziu, mas é uma pena ter de “arruinar” todas as horas dedicadas pelos designers com uma capa a proteger algo que, no fim de contas, custou mais de 800 euros.

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Quanto à construção, mais duas notas muito positivas: é muito agradável meter o equipamento em cima da mesa de jantar e não ter de estar a fazer de segurança caso alguém decida verter um copo com líquido lá dentro. Melhor do que isso, tirar fotos ou gravar vídeos debaixo de água é algo que vai ajudar muito ao crescimento de likes no teu Instagram. O grande downside disto? As colunas sofreram uma redução de qualidade, mas isso é um sacrifício que não nos importamos de fazer pelas vantagens que daí advêm.

Por fim: habemus slot para microSD de volta. Isto é muito bom caso não queiras compra o modelo com o armazenamento interno maior por uma questão de investimento e também porque podes até ter um microSD em casa que te resolve o problema. Mas em relação a isto, tem atenção – o S7 Edge é também dual sim, mas existem apenas dois “slots” para colocar os dois cartões e ainda o microSD. Ou seja, terás de escolher entre mais memória ou um microSIM adicional.

Desempenho: como um topo-de-gama (quase) deve ser

Não, não nos vamos por para aqui a debitar todas as especificações do S7 Edge. Trata-se de um equipamento topo de linha da Samsung, e isso diz tudo o que há para dizer, pois de nada vale ter um processador deca-core se não aguenta com o BBTAN aberto durante mais do que meia hora.

Em termos de desempenho, existe apenas uma palavra para descrever o equipamento: perfeito. Não tenho memória de haver um encerramento forçado, um lag significativo no scroll em alguma rede social ou algum tipo de condicionamento pelo facto de ter mais de 50 (sim, cinquenta) apps a correr ao mesmo tempo. E o melhor de tudo foi que a Samsung resolveu de forma substancial o eterno problema do sobreaquecimento. O novo acrescento no sofware, que desativa as notificações e permite até que graves o ecrã enquanto jogas, merece também nota positiva.

Para aproveitares todo o poderio do processador e memória RAM está um ecrã belíssimo de 5,5 polegadas, resolução de 1440 x 2560, ou seja, são 534 píxeis por polegada. Dissemos que não íamos começar a falar de números no início, mas vale mesmo a pena dizer o quão fantástico é olhar para um ecrã destes – que vai praticamente de ponta a ponta, graças às curvas laterais. Claramente o melhor que o mercado tem para oferecer neste momento.

E dura, dura, dura

SPOILER: vamos falar bem da autonomia de um topo de gama da Samsung. Mas realmente não há como ficar descontente com os 3600 mAh, suficientes desde para, por exemplo, andar no Twitter o dia todo, até para tirar fotografias enquanto se está em modo turista. Mais importante do que isso, o S7 Edge tornou-se talvez no melhor smartphone para fins profissionais simplesmente porque não compromete nunca o seu desempenho e pode ficar o dia todo fora da tomada – e mesmo aí, o fast charging dá uma grande ajuda. Irá a linha Edge ficar obsoleta?

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A câmara fotográfica torna difícil tirar uma má fotografia

Quantidade não é qualidade, e nada melhor do que o Samsung Galaxy S7 Edge para comprovar isso. Dos habituas 16 megapíxeis, a Samsung teve a coragem de colocar um sensor de “apenas” 12 megapíxeis no novo topo de gama com a confiança de que ia resistir aos grandes críticos. E resistiu em estilo.

Torna-se até complicado falar da câmara do S7 Edge sem parecer que estamos a fazer publicidade, porque realmente não há aqui grandes defeitos a apontar – uma grande abertura, fotografias em modo noturno muito satisfatórias, vídeos em slow motion com uma grande qualidade, foco ultrarápido e um modo “pro” para quem quer chegar a um novo nível com a fotografia mobile.

Prepara-te para seres aquela pessoa no grupo a quem todos vão recorrer para tirar fotos. Quase que podemos até dizer que vale a pena comprar o produto só por causa das fotografias e dos vídeos que produz.

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Perfeito? Quase

A Samsung esmerou-se para produzir o S7 Edge, mas ainda não chegou ao trono da perfeição. Eis o que nos desapontou ao longo dos testes:

– O S7 Edge é grande demais para ter um ecrã curvo. Tivemos a oportunidade de andar com o S6 Edge durante algumas semanas (inclusive durante a MWC2016, em Barcelona) e a componente curva do ecrã não incomodou de todo, tornando-se até apelativa. Com o S7 Edge a curva também é apelativa, facilita a pegada e é muitas vezes motivo de conversa (dá sempre jeito…), mas um equipamento tão grande como este faz com que estejamos muitas vezes a carregar no ecrã com alguma parte da mão sem sequer nos apercebermos, principalmente quando estás a manobrar o Edge com uma só mão ou a fazer manobras para tirar uma selfie. A versão do iOS previne esse tipo de problemas para o iPad, e não seria mau de todo o Samsung começar a pensar em algo parecido.

– Um pequeno grande detalhe: Samsung, porque é que insistes em trocar a posição das teclas “retroceder” e “apps abertas” em relação a todos os outros equipamentos Android neste universo?! É preciso paciência para aguentar os flops dos primeiros tempo

– Não é mau, mas pode melhorar: o software. Há uns anos achávamos impossível recomendar o Touchwiz a quem quer que fosse, mas isso melhorou substancialmente nos últimos tempos. Aliás, hoje em dia é possível instalar um tema sem recorrer a launchers de outros programadores e deixar a interface bastante parecida ao Android original. Mas há ainda algumas apps nativas da Samsung que tendem a não querer desaparecer e que nada mais fazem para além de ocupar armazenamento. Porque é que eu preciso de duas galerias, de duas apps para gerir o email e de dois calendários?

O preço. É verdade que o S7 Edge pode funcionar como tablet, câmara fotografica, câmara de vídeo, consola de jogos e a sua autonomia dispensa até a compra de baterias externas, mas não se dá 800+ euros por um smartphone de ânimo leve. É bem provável que este venha a ser considerado o melhor Android de 2016 e podes ver este como um investimento feito para os próximos três a quatro anos, por isso analisa bem as tuas necessidades antes de aventurares numa compra destas.