Se as câmaras das TVs não podem filmar, usa-se o Periscope e o Facebook Live


A tecnologia está a ajudar os democratas a comunicarem com o exterior durante o protesto. Os congressistas sentaram-se no chão da Câmara dos Representantes e usaram o Periscope e o Facebook Live, após a C-SPAN, televisão pública nos EUA semelhante à nossa AR TV, ter sido proibida de ligar as câmaras e transmitir o protesto.

Tudo começou esta quarta mas continua hoje e, possivelmente, vai durar mais tempo uma vez que a ala republicana recusa-se a rever a legislação do controlo de armas. A discussão regressou logo depois do massacre homofóbico em Orlando que matou 49 pessoas.

É a própria C-SPAN que está a usar essas emissões online através das apps, tendo criticado no Twitter a decisão de não poder emitir normalmente. Inicialmente, o canal usou as filmagens do congressista Scott Peters (democrata da Califórnia), através do Periscope, e depois através de uma fonte não identificada com o Facebook Live. Dada a importância do momento, as alternativas tecnológicas mostraram-se de elevada importância para fazer chegar a mensagem do protesto aos eleitores que estão prestes a ir às urnas em Novembro deste ano. Mas por que é que a C-SPAN não pode filmar como normalmente faz? A explicação é simples: a Câmara dos Representantes esteve em intervalo durante o protesto e o canal só está autorizado a filmar as sessões normais.

A proposta dos democratas que deu origem ao protesto tem como objectivo generalizar as verificações de antecedentes criminais ou psiquiátricos antes da venda de armas de fogo. Após a rejeição da proposta na câmara baixa, controlada pelos republicanos, o congressista John Lewis sentou-se ao lado da tribuna onde tinha discursado e outros democratas seguiram-lhe os passos. Tal como esperado, o inesperado acto dos congressistas chamou à atenção para um assunto que já tinha incendiado a agenda mediática na semana anterior. Tanto que o apoio de civis não tardou a chegar em frente do Capitol.

Com os republicanos a não ceder, os democratas continuam no chão em protesto esta quinta-feira apesar de tal ir contra as regras. A resposta ao protesto, no entanto, foi rápida: a maioria decidiu só voltar a abrir os trabalhos da Câmara dos Representantes após o 4 de Julho, feriado nacional por ser o Dia da Independência dos EUA.