Huawei P9: uma mini-DSLR no teu bolso


Não é novidade nenhuma vermos grandes marcas de telemóveis e smartphones aliarem-se a gigantes da fotografia para conseguir atrair as atenções e criar “buzz” na imprensa. Desde 2004 que a Nokia (#RIP) produziu uma larga quantidade de equipamentos com lentes Carl Zeiss, a LG chegou a trabalhar ao lado da Schneider e, mais recentemente, a Huawei anunciou o tão aclamado P9, que pretende ser o rei a senhor no mundo da fotografia com o smartphone em parceria com a Leica.

Esta notícia despertou a atenção de todos. Na verdade, a câmara de um equipamento e quase o elemento mais importante quando chega a altura de escolher e a concorrência está mais forte do que nunca, com produtos como o S7 Edge ou o iPhone 6S a tirar fotografias fantásticas e com o mínimo de esforço. Mas polémicas e mentiras à parte, eis o que nós achámos do novo menino-bonito da Huawei.

O design

O Huawei P9 impressiona mal o tiramos da caixa e sem sequer o termos ainda ligado. O design do equipamento é um grande positivo, não só pela sua reduzida espessura (sete milímetros) como também pelo facto de o seu unibody não apresentar qualquer falha na montagem.

A lateral esquerda do equipamento não tem qualquer botão, apenas o slot para os cartões nano-SIM, enquanto que a lateral direita tem tanto os botões de volume como o botão de on/off com uma textura diferente, para que seja facilmente distinguível.

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Tanto as câmaras como o sensor biométrico (já vamos falar sobre isso) estão na parte traseira (um pouco escorregadia, já agora), que lembra um pouco o Nexus 6P mas com a grande, GRANDE vantagem de não conter qualquer tipo de saliência. Uma caraterística raríssima nos dois de hoje mas que é de aplaudir.

A entrada para headphones e a coluna estão na parte inferior, enquanto que a parte frontal conta com um ecrã com bordas super reduzidas e sem qualquer botão, apenas o logo da Huawei no fundo. É bonito só de olhar.

O sensor biométrico e o USB Tipo-C

Sou sincero: nunca fui o maior fã de sensores biométricos. Para além de achar sempre mais simples ter um padrão para desbloquear o equipamento, a localização dos sensores em equipamentos como o iPhone 6 ou o S7 Edge não era para mim a melhor, pois eu poderia simplesmente querer “acordar” o equipamento usando o botão “home” nestes equipamentos sem o querer propriamente desbloquear.

Mas o P9 veio mudar isso. O sensor biométrico funciona na perfeição, está muito bem localizado, é rápido e, para além disso, tem mais funções do que apenas desbloquear o equipamento – um swipe down mostra a barra de notificações, e dois cliques limpam todas as notificações. Claro, seria ótimo que esta funcionalidade pudesse ser explorada por terceiros (gostava muito de que fosse possível fazer scroll down no Chrome ou no Instagram, por exemplo), mas já tem um melhor aproveitamento do que aquele que é feito pelos concorrentes.

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Para além disso, a Huawei foi corajosa e ambiciosa o suficiente para substituir o micro-USB pelo USB Tipo-C no seu equipamento. Por muito que alguns não queiram, este é o futuro, e só traz vantagens em equipamentos com baterias grandes. É um facto que por vezes fiquei sem bateria a meio do dia e, por não ter levado o carregador comigo, ninguém à minha volta tinha um carregador compatível, para além de que todos os acessórios com cabo microUSB se tornam rapidamente obsoletos. Mas gostei de me sentir em 2016 com este pequeno, mas importante detalhe.

Uma maravilha por fora, mas por dentro…

A Huawei faz parte de uma série de marcas que faz questão de personalizar todo e qualquer centímetro quadrado do Android à sua imagem. Bom, há certas marcas, como a Samsung, que já se aperceberam de que este não é o caminho a seguir, mas a fabricante do P9 não partilha da mesma opinião.

Em cima do Android 6.0, a Huawei colocou a versão 4.1 do Emotion UI, cuja review se resume em: qualquer semelhança com o iOS é tudo menos uma coincidência. Não quero com isto dizer que tudo seja mau, aliás, sou totalmente a favor de que as empresas “copiem” funcionalidades uns dos outros porque o utilizador só tem a ganhar.

Contudo, tantos os ícones, como a própria organização cronológica das notificações, passando pela ausência de menu de aplicações tornam a habituação muito complicada para quem está habituado a uma experiência Android dita “normal”. Neste caso, instalar algo como o Google Now Launcher ou o Nova Launcher é mesmo a única solução – e isto lembrou-me de que precisei até de ir à net ver um tutorial para saber como se mudava o launcher pré-definido neste equipamento.

O desempenho

A Huawei coloca o P9 na faixa dos topos-de-gama do mercado, e os números falam por si. Estamos a falar de um equipamento com oito núcleos de processamento (quatro a 2,5 GHz e mais quatro a 1,8 GHz), 3 GB de memória RAM e 32 GB de armazenamento interno – isto sobre o equipamento que tivemos para teste.

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Tivemos zero problemas em correr desde apps de redes sociais até aos jogos mais pesados, embora se note alguma, mas pouca, dificuldade em gerir várias apps abertas ao mesmo tempo. A Huawei disponibiliza o software necessário para lidar com este problema (que não passa de um Clean Master “embutido” no próprio equipamento, mas não é nada que atrapalhe a experiência de utilização se te lembrares de limpar as apps abertas uma vez por dia.

Já o desempenho da bateria, de 3000 mAh, vai variar muito da utilização que deres ao P9. Como foi dito em cima, houve momentos em que fiquei “out of juice” a meio do dia e, devido ao USB Tipo-C, não houve hipótese de carregar o equipamento a menos que tivesse levado cabos comigo. Honestamente, com um produto deste tamanho, era de esperar, pelo menos, uma bateria de 3500 mAh que dava aquela energia extra que é sempre essencial. Para equilibrar aqui as contas, o P9 suporta fast-charging.

Por fim, falar do ecrã, de 5,2 polegadas. O tamanho pode parecer exagerado para muita gente, mas a reduzidas bordas tornam acessível praticamente todo o ecrã com apenas uma mão para a maioria das pessoas. As cores são brilhantes e usá-lo na rua não tem qualquer problema. Não senti também a falta de mais píxeis (o equipamento tem a resolução de 1920×1080), pois isso apenas iria servir para que o P9 ficasse mais atraente “no papel” e para queimar ainda mais depressa a bateria.

Por último, mas não menos importante: a câmara

Estamos aqui para falar da experiência de utilização e não de todos os números e explicações das duas lentes traseiras do Huawei P9, mas importa antes de tudo realçar bem isto: as lantes não são feitas pela Leica, mas sim pela Sony. Basicamente, a participação da Leica neste smartphone resume-se a uma ajuda no processamento de imagem e à certificação de qualidade da câmara.

Isso resulta em algum tipo de desilusão? Não. As câmaras do P9 são fantásticas, tanto em modo Pro como (especialmente) em modo automático, dispensando o uso do HDR em 90% dos casos. O vermelho das fotos pode ficar por vezes um pouco saturado, mas tanto o azul como o verde são reproduzidos de forma bastante semelhante à realidade, e importa também destacar os resultados em macro e em modo panorama.

O facto de haver duas câmaras no P9 ajuda não só à obter cores mais reais como à distância focal, que, neste caso, é complementada pelo foco a laser. Ao lado do laser está um flash duplo, que não cria as melhores fotografias em condições de baixa luminosidade, mas deverá ser mais do que satisfatório na maioria das ocasiões.

Em suma, estamos a falar de um smartphone com uma mini DSLR, mas é o suficiente para ser o rei nesta categoria? Para nós, não. O Samsung Galaxy S7 Edge acaba por ser superior, não só pelo facto de ter um sensor um pouco mais rápido como pelo facto de ter estabilizador ótimo e filmar em 4K – para vídeo, o P9 não está sequer no top 3. Muito bom, mas não perfeito.

Conclusão

A Huawei está a atacar o mercado dos topo-de-gama com este P9, e isso sente-se desde o unboxing até à qualidade de construção. Para além disso, o verdadeiro diferencial está no facto de este equipamento custar em média menos 100 a 150 euros do que os seus concorrentes diretos, e portanto poder chamar ainda mais à atenção.

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Os poucos problemas do P9 podem ser resolvidos: uma superfície traseira mais escorregadia é corrigida com uma capa protetora, quem não adora as modificações ao Android pode sempre trocar de launcher e pode até arranjar um tripé para corrigir o problema da estabilização nos vídeos. Se quer um equipamento para tirar ótimas fotografias sem problemas, então deve olhar com bastante atenção para o P9, pois provavelmente não valerá a pena dar mais uns 250 euros para chegar a um S7 Edge a menos que queira mesmo o 4K e outras funcionalidades, como a resistência à água.