Milhões de Nomes #3: Sun Araw


Quando falamos no Milhões, passamos todos um pouco por ignorantes. Se alguém te disse que conhece os nomes todos do line-up, bate-lhe, porque é mentira. É impossível. Não há melómano que se safe em Barcelos e ainda bem. Se a magia da música não passasse por descobrir coisas novas, o que andávamos todos aqui a fazer?

Numa altura em que todos os fins-de-semana tens um festival, a Lovers destaca-se por ter, provavelmente, um dos mais undergrounds, com nomes rebuscados nos confins da internet. Sim, isso faz dele o festival dos hipsters. E se isso é sinónimo de aumentar a playlist do iTunes com coisinhas novas, venham daí as dicas para as minhas camisas aos ananases – até porque ananases é fixe.

A duas semanas do festival começar, chegou o momento de fazer os trabalhos de casa, explorar o cartaz e fazer o plano daquilo que me vai tirar do balcão da cerveja. Sun Araw é definitivamente um deles. O projecto de Cameron Stallones (piadas com o apelido do Mr.Rocky em 3, 2, 1 …) é dos nomes grandes para este ano e vem com um set especial para o Milhões.

Enquanto estivermos todos a ressacar o concerto do Kendrick no Super Bock Super Rock, dia 18 o músico vai estar em residência artística em Braga, com a malta do Gnration. Tudo em formato Sun Araw Band. É em trio que vai aparecer no Milhões e a estrear o sucessor do mais recente LP Olso/Oto. Além do novo disco, o Gnration é também o anfitrião do seu ensaio aberto, dia 20 de julho no BlackBox, em Braga. Se estás por esses lados e tens bilhete para o Milhões, aproveita que para ti é de borla, senão pagar 5 euros também é fácil.

Eu conheci o nome Sun Araw há muito pouco tempo, quando apareceu num artigo em scroll do Facebook e nos group buys do meu dealer de discos. E há muito disco para explorar, cada um frito à sua maneira. A base está nos caminhos experimentais que saem daquela guitarra. E se no início a coisa tinha uma expressão eletrónica obscura, mais para a frente começou a misturar uma série de estilos.

Quando falamos de música experimental vale tudo, já sabemos. Com o kraut sempre presente, o Sun Araw mistura lá para o meio um afro beat, dub, lo-fi e até reggae. Tudo em ácidos, claro. Quando não souberes o que vais ouvir, espreita a colaboração com o grupo jamaicano The Congos, é boa cena.

Esta malta que baseia o seu som em guitarras psicadélicas, tem ganho cada vez mais expressão. Ainda há pouco tempo tivemos por cá o Tim Hecker e temos também portugueses em destaque: o Filipe Felizardo, que é só a maior jarda ambiental, e o Jiboia, que é provavelmente o mais semelhante que temos com o Sun Araw. Mas isso são só outros tipos de fritaria.