O plano da Itália para legalizar a erva pode ajudar a combater a máfia e o Daesh


A discussão sobre a legalização da marijuana é global e, desta vez, atingiu a Itália: o país está a debater se tornar legal a produção e consumo pessoal vai ter consequências para além das esperadas.

Pode parecer ambicioso, mas ao remover a proibição na produção pessoal de erva pode vir a retirar muito dinheiro a organizações criminosas como a máfia e o Daesh que se aproveitam deste mercado ‘negro’. Não existindo a necessidade de comprar, podendo plantar erva, os consumidores vão parar de, indirectamente, financiar estas organizações, enfraquecendo-as. Esta é a teoria do procurador-geral italiano, Franco Roberti, como relata a VICE News.

A ideia é descriminalizar a marijuana, permitindo que cada italiano tenha cinco plantas em casa, para consumo próprio. Além disso, a lei prevê que o Estado explore este mercado sozinho, em monopólio, aproveitando todos os lucros e impostos adjacentes de quem não quiser plantar ou precisar de consumir em maior quantidade. Estas receitas podem vir a ser usadas para combater a dívida pública e privada italiana, assim como a situação da recapitalização da banca que está neste momento num impasse com a União Europeia.

Esta medida pode ainda impedir a rota de contrabando que circula do norte de África para a Europa (Casablanca, Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia), onde circulam maioritariamente o Daesh e a máfia italiana, aponta Franco Roberti. Apesar de ser proibido consumir ou vender drogas nas zonas controladas pelo Daesh, existindo execuções para quem o faça, a verdade é que quase 7% das receitas do Daesh têm como origem a venda de drogas. Por mês, os números ultrapassam os quatro milhões de dólares, de acordo com a agência financeira IHS Markit.

De acordo com a Vice News, a aceitação pública em prol da lei é de 73%, sendo que 83% considera que a actual legislação é ineficaz. O mais provável é que a lei seja aceite uma vez que conseguiu ter o apoio maioritário dos deputados e senadores. A legislação vai ser levada ao parlamento italiano na próxima semana.

Milhares de pessoas seguem o Shifter diariamente, apenas 50 apoiam o projecto directamente. Ajuda-nos a mudar esta estatística.