Wikileaks: depois dos emails, gravações provam plano contra Sanders


Após a demissão da presidente do Partido Democrata no seguimento da divulgação de e-mails onde conspirava contra Bernie Sanders, os democratas não se livraram da WikiLeaks. Julian Assange prometeu que esta revelação não era o fim dos leaks: foram divulgadas gravações de voz de dirigentes democratas de topo que confirmam a campanha interna contra Sanders, para favorecimento de Hillary Clinton.

Neste novo leak estão 29 gravações, que estão identificadas por número de telemóvel, num total de 14 minutos. De acordo com o site The Next Web, não existem informações completamente novas neste novo leak, mas fica a certeza da cilada montada contra Bernie Sanders e também a vontade de Julian Assange em divulgar mais informações que podem mudar o curso das eleições presidenciais para Clinton.

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O que já tinha sido divulgado?

Foram quase 20 mil, o número de e-mails internos do Comité Nacional Democrata tornados públicos a 22 de Julho. O seu conteúdo era claro: a líder do partido, Debbie Wasserman, e outros dirigentes uniram-se contra Bernie Sanders na corrida das primárias, onde o Senador do Vermont conseguiu 22 vitórias, chegando a assustar a campanha de Clinton. Com o objectivo de unir o partido e para agradar aos seguidores de Sanders (e ao próprio), Wasserman demitiu-se mesmo antes da convenção democrata começar por causa de protestos, apesar de inicialmente ter dito que apenas se demitia no final do congresso. Assim, Debbie Wasserman abandonou mais cedo Filadélfia (Pensilvânia), sem sequer pisar o palco dos democratas.

O escândalo não ficou por aí. A campanha de Clinton acusou a Rússia de ser a fonte deste leak para ajudar Trump. O magnata não tardou a responder, acusando o The New York Times de ajudar os democratas a alimentar esta narrativa de apoio de Putin, “só porque este disse ‘O Trump é um génio'”. Pouco tempo depois, num novo tweet, disse que “se a Rússia ou qualquer outro país ou pessoa tem os 33 mil emails de Hilarry Clinton eliminados ilegalmente, talvez eles devessem partilhá-los com o FBI”.

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Facebook bloqueou acesso aos links da WikiLeaks

O chefe de segurança do Facebook admitiu que a rede social bloqueou os links para os ficheiros da WikiLeaks que continham os supracitados mails do Comité Nacional Democrata. A empresa resolveu o que diz ter sido um acidente de algoritmo (que teria identificado os links como spam ou maliciosos, com vírus) poucos depois de receber críticas duras da WikiLeaks.

A desculpa não é nova: o mesmo se passou no início do mês com o vídeo da morte de Philando Castle, baleado por um polícia, que foi retirado da web sem razão aparente. Este tipo de situações veio agravar o coro de críticas à volta da rede social uma vez que esta é (e pretende ser) uma fonte de notícias para os seus utilizadores.

No entanto, muitos falam em manipulação das notícias que estão trending uma vez que essa curadoria é feita por humanos (a acusação diz que estão a suprimir umas histórias e a amplificar outras com objectivos concretos) e não por um algoritmo, como inicialmente tinham anunciado.

O cenário poderá ficar negro para os democratas?

Ao seu lado Clinton tem nomes de referência na política norte-americana: o ex-mayor de NY Michael Bloomberg (Republicano), Michelle Obama (que deu um dos discursos mais comentados até agora) e o próprio Bernie Sanders que traz consigo muitos apoiantes, mas que no entanto não conseguiu uni-los todos em torno da candidata já nomeada, por muito que a sombra de Donald Trump esteja presente. Actualmente o movimento criado em torno da figura de Sanders pelas camadas mais jovens da população parece avançar sem o seu “fundador”, mantendo-se assim tanto contra Clinton como contra Trump.

Apesar das diferenças entre a primeira mulher candidata à Casa Branca e Sanders serem muitas, ambos se esforçaram por criar consensos e entendimentos que fizessem colidir os seus eleitorados. Por exemplo: foi criada uma comissão de reforma de unidade – já aprovada – que vai avaliar o papel dos superdelegados e o processo dos Caucus em cada Estado nas primárias democratas. O objectivo é tornar o processo mais transparente, um dos bastiões da política de Bernie. Esta acaba por ser uma vitória para a ala mais liberal e de esquerda, com inspiração na social-democracia europeia, incorporada por Bernie Sanders e rara na realidade e história política norte-americana. No seu discurso, Sanders revelou ainda que ambos chegaram a acordo para dar acesso gratuito a universidade públicas, combater a dívida contraída pelos estudantes universitários e alargar o sistema nacional de saúde iniciado pelo ObamaCare.

Se Assange divulgar mais leaks que comprometam directamente a própria Clinton, as três em quatro sondagens que deram vitória a Donald Trump podem realmente confirmar-se. É que, além do problema com a tentativa de boicote da campanha de Sanders, há ainda o escândalo do dinheiro envolvido no partido: