Agora podes fazer Lisboa-Algarve de carro eléctrico sem risco de ficar apeado


Desde esta segunda-feira, é possível ir de carro eléctrico de Lisboa para o Algarve (ou vice-versa) sem ficar apeado pelo caminho. Foi inaugurado na A2, a auto-estrada do Sul, o primeiro corredor de carregamento rápido, passando a ser possível viajar sem risco de ficar sem carga no veículo.

Na prática, existem agora quatro postos de carregamento rápido ao longo de toda a A2, que permitem carregar a bateria do carro em cerca de 30 minutos – significativamente menos do que as 6-8 horas que pode demorar a carregar um destes carros nos postos normais, que encontramos espalhados por várias cidades do país. Até final deste ano, estes pontos de carregamento rápido são gratuitos.

Além de permitir a deslocação sem interrupções entre Lisboa e o Algarve, o corredor pode ser uma mais valia para a redução de emissões de gases com efeito estufa e simultaneamente para a melhoria da qualidade ambiental a sul do Tejo.

O corredor eléctrico da A2 integra a Rede MOBI.E, que o Governo espera concluir com a instalação ou actualização de 174 pontos de carregamento, conforme previsto num protocolo de 2011, entre a INTELI — Inteligência em Inovação, Centro de Inovação, representante do consórcio IDT MOBI.E e a Agência Portuguesa do Ambiente, entidade gestora do Fundo Português de Carbono.

Desses 174 novos postos de carregamento, 50 serão de carregamento rápido e estarão espalhados por várias auto-estradas do país. O objectivo é que os veículos eléctricos passem a conseguir viajar por toda a extensão do território português. O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, adiantou durante inauguração do corredor eléctrico da A2 que, no futuro, será possível ir de Viana do Castelo até ao Algarve e nos dois eixos para o interior, mais precisamente na A25, que liga Aveiro a Vilar Formoso, e na A23, desde Torres Novas até à Guarda, sem emitir gases poluentes.

“Até ao final do próximo ano, cada sede de concelho terá, pelo menos, um posto de carregamento e a mobilidade eléctrica deixará de ser entendida como um fenómeno urbano, mas sim um fenómeno que é possível acontecer em todo o país, com grandes ganhos para o ambiente e para todos nós”, acrescentou o ministro, citado pela agência Lusa.

O preço deste tipo de viaturas, reconheceu João Matos Fernandes, é “mais elevado” do que o dos veículos a gasóleo e gasolina, mas o investimento, mesmo quando a energia eléctrica começar a ser paga, por ser mais barata dos que os combustíveis, “é absolutamente compensável, além da inexistência de emissões” de gases com efeito de estufa.

“Uma outra questão muito relevante é que os veículos eléctricos em Portugal não pagam imposto automóvel, porque este depende das emissões e da cilindrada. Não havendo emissões e não tendo os motores cilindros, não pagam”, acrescentou.

Foto de: Paulo Valdivieso/Flickr