Da Google à Disney. Todos parecem querer o Twitter


Pode ser uma questão de dias, de semanas ou, quem sabe, de meses. O Twitter poderá ser vendido e parece que existem várias empresas interessadas – umas mais óbvias, como a Google ou a Microsoft; outras “assim-assim”, nomeadamente a Salesforce ou a operadora Verizon; e… sim, a Disney.

O problema do número de utilizadores

O Twitter nunca conseguiu chegar aos 500 milhões de utilizadores. Segundo dados referentes ao segundo trimestre de 2016, pouco mais de 313 milhões de contas registadas com actividade mensal. Como comparação, no início de 2015, esse valor era de 302 milhões. Apesar de alegar que muitas mais pessoas utilizam a plataforma sem ter registo, contactando com tweets incorporados em sites ou navegando em perfis públicos, por exemplo, o certo é que o Twitter não tem conseguido captar a atenção das pessoas como investidores pensavam que conseguiria.

Ainda assim, o Twitter tem-se esforçado para resolver este problema. A plataforma adoptou um novo posicionamento: o de aplicação de notícias em vez de rede social. Não só mudou a sua categorização na App Store e Play Store, o que lhe permitiu ganhar mais relevância nas lojas, como reajustou toda a sua estratégia de comunicação. Uma forma muito simples de perceber a diferença entre o Twitter e o Facebook é pesquisar os respectivos sites no Google:

“Twitter. It’s what’s happening. From breaking news and entertainment to sports and politics, get the full story with all the live commentary.”

“Facebook.Connect with friends, family and other people you know. Share photos and videos, send messages and get updates.”

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Simultaneamente, o Twitter mudou significativamente o processo de registo. Novos utilizadores têm de passar agora por uma série de passos, onde lhes é perguntado os seus interesses e depois sugeridas contas para seguir. Tudo para que ninguém comece com uma Timeline fazia. Este era um problema que o Twitter tinha e que o Facebook nunca teve, uma vez que nesta rede social a primeira coisa que fazemos é adicionar os nossos amigos e outras pessoas que conhecemos pessoalmente. O Twitter, por seu lado, não é sobre os nossos amigos, até porque muitos não estão lá – é sobre seguir pessoas interessantes e discutir tópicos que nos interessam. Os novos utilizadores também se deparam com uma página elucidativa do que é o Twitter na primeira vez que acedem a twitter.com.

O Twitter lançou um conjunto de novas funcionalidades que dão mais motivos para visitar e usar a plataforma – desde os stickers em fotos ao livestreaming via Periscope, sem esquecer o Moments que organiza os tweets numa espécie de revista digital ou o processo de verificação de conta mais transparente para que mais e mais pessoas possam autenticar-se como jornalistas, músicos, atletas ou outras personalidades, fazendo a sua voz sobressair.

O Twitter vai ser vendido?

Esta pergunta ainda não tem resposta. Existem empresas interessadas, segundo várias notícias na imprensa internacional. Na semana passada, a CNBC relatou que o Twitter estaria em conversações com a Google e a empresa de cloud computing Salesforce, entre outras tecnológicas, e que poderia vir a receber uma proposta formal das mesmas em breve. Vala Afshar, chief digital evangelist da Salesforce, tweetou depois da notícia da CNBC algumas opiniões. “Why Twitter? 1 – personal learning network; 2 – the best realtime, context rich news; 3 – democratize intelligence; 4 – great place to promote others”, disse o responsável.

O site TechCrunch acrescentou a Microsoft e a operadora norte-americana Verizon à lista da CNBC. De notar que a Microsoft está em processo de aquisição da rede social profissional LinkedIn e que a Verizon decidiu comprar o portal e serviços Yahoo.

Já no início desta semana, surgiu a notícia através da Bloomberg de que a Disney (sim, a Disney) também está de olhos postos no Twitter e que está a trabalhar com conselheiros financeiros para avaliar uma possível oferta pelo Twitter. Também esta semana a CNBC reforçou o interesse da Microsoft no site.