A Marvel não tem músicas memoráveis e este vídeo-ensaio explica porquê


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Numa altura em que está quase a estrear mais um filme da Marvel, o ensaísta Tony Zhou decidiu partilhar mais um vídeo-ensaio no seu YouTube, desta vez sobre as bandas sonoras dos vários filmes do franchise de super-heróis. O trabalho chama-se “The Marvel Symphonic Universe”.

Every Frame a Painting é o nome da rubrica que o autor dedica à análise de filmes, sonora e visualmente, através de pequenos vídeos. Desta vez, o cineasta e editor de vídeo dedicou o seu tempo a tentar perceber porque é que, ao contrário de bandas sonoras como as de Star Wars, James Bond ou Harry Potter, o “universo sinfónico da Marvel” é bastante olvidável.

Zhou mostra no ensaio a sua estranheza relativamente a este fenómeno, até pelas reações das pessoas que surgem no início do vídeo. De facto, é estranho que o franchise mais bem-sucedido de sempre do cinema, com um total de 13 filmes estreados até hoje. Mas Zhou formula uma tese sobre isso.

Se colocarmos de parte o espírito musical dos anos 70 que o realizador James Gunn utilizou em Guardians Of The Galaxy, as bandas sonoras originais destes filmes são utilizadas para não se notarem, como se fossem “um ar condicionado lá ao fundo”, segundo o autor. Outro aspeto que diz ser problemático é a temp music, ou a música temporária; um realizador pedir explicitamente ao compositor do seu filme que faça uma versão de outra banda sonora de que gosta ou de uma tenha sido utilizada por si para editar cenas do seu filme.

Apesar destas teorias parecerem incontestáveis, Tony Zhou recebeu uma resposta, em formato vídeo, do também ensaísta youtuber Dan Golding. A resposta favorita de sempre de Tony porque, diz nos comentários desse vídeo, Golding incluiu no seu ensaio “cenas cortadas” que ele gostaria de ter posto no seu, não o tendo feito para não ficar demasiado extenso.

Nesse seu complemento, Theory of Film Music, Dan Golding diz que as explicações de The Marvel Symphonic Universe não serão suficientes para explicar o fenómeno musical (ou a falta dele). Sobre isso, refere que a temp music não é um instrumento de hoje, tendo sido usada até pelo realizador George Lucas que, imagine-se, não queria colocar música original em Star Wars.

Além de explorar a questão há muito debatida sobre a originalidade da música no cinema, a grande questão que Golding levanta é o facto de – cada vez mais – as grandes produções cinematográficas se copiarem de forma muito limitada umas às outras, não recorrendo à grande abrangência e abundância sonora da música clássica, como antigamente faziam. Além disso, culpa ainda o compositor Hans Zimmer. Não percebes como? Ora vê.

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