Microsoft quer usar a inteligência artificial para curar o cancro


 

A Microsoft anunciou quatro projectos com um objectivo em comum: usar inteligência artificial (AI) para resolver um dos mais complexos e mortíferos desafios na área da medicina – o cancro. Para tal, a empresa de tecnologia criou grupos de investigação que juntam biólogos, engenheiros e programadores.

Uma das equipas de investigação pretende usar aprendizagem automática e processamento de linguagem natural para ajudar os oncologistas a encontrarem tratamentos individuais e mais eficientes para os seus pacientes, enquanto outra equipa desenvolve algoritmos que ajudam os cientistas a compreender como é que os cancros se desenvolvem e quais os melhores tratamentos para os combater. Para isso, é preciso analisar milhares de dados provenientes de estudos científicos e registos médicos. Esta ideia é reforçada por Brian Druker, director do Knight Cancer Institute: “Sempre acreditei que a informação e dados disponíveis tentam dizer-nos a resposta, nós só precisamos de saber como ouvi-la. E é aí que entra a ciência computacional.”

Por outro lado, um grupo de investigadores está a combinar aprendizagem automática com visão computacional para ajudar os radiologistas a compreenderem a evolução dos tumores dos seus pacientes. Durante o tratamento do cancro, a análise dos resultados de radiologia pode tornar-se difícil, já que o olho humano pode não ser capaz de distinguir facilmente se um tumor está a crescer, a diminuir ou a mudar de forma. Por exemplo, um rastreio TAC é actualmente capaz de produzir 2 000 imagens e, como tal, é necessário criar tecnologias que analisem todas estas as imagens e as transformem em informação de fácil análise para os radiologistas. Prevê-se que o sistema que estes investigadores estão a desenvolver consiga analisar scans 3D pixel a pixel de modo a informar os radiologistas exactamente quanto o tumor cresceu, encolheu ou mudou de forma desde o último scan.

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No entanto, o derradeiro objectivo a que a Microsoft se propõe prende-se com a programação de células para combaterem várias doenças, entre elas o cancro. Andrew Philips, que lidera o Grupo de Investigação de Computação Biológica, diz que um dos métodos para alcançar este objectivo é criar uma espécie de computador molecular que seria posteriormente introduzido na célula para monitorizar doenças. Caso fosse detectada alguma anomalia, este computador accionaria uma resposta para a combater. Claro está que este é um objectivo muito ambicioso, sem garantias que um dia se consiga concretizar. Philips afirma que este projecto ainda está no início e que este é um objectivo a longo-prazo.

Porém, a Microsoft não é a única empresa a aplicar a ciência computacional no combate a doenças. A DeepMind da Google está actualmente a desenvolver projectos semelhantes, nomeadamente a aplicação de IA no diagnóstico precoce de doenças dos olhos ou nos tratamentos de radiação do cancro da cabeça e pescoço. A IBM está também a desenvolver um sistema computacional que permite ajudar os oncologistas na escolha do tratamento mais eficaz.

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