O 4 de Outubro de 2016 pode ficar na história da Google


A Google marcou uma conferência de imprensa para 4 de Outubro e é motivo para ficarmos entusiasmados. A empresa não detalhou o que será apresentado, mas toda a campanha de marketing que tem promovido em torno do evento tem elevado as expectativas. Os rumores que circulam na internet relativamente ao que poderá ser anunciado também estão a deixar-nos com água na boca.

O hardware nunca foi a prioridade da Google, mas aos poucos a empresa tem ganho reconhecimento pelos equipamentos lançados. Dos Nexus ao Chromecast, os produtos da Google reflectem a visão da empresa de os seus serviços devem funcionam no contexto físico. Os Nexus são os telemóveis actualizados com a versão mais recente e pura do Android, onde todos os produtos Google (Gmail, Photos, Search, Maps…) parecem simplesmente funcionar em harmonia. Já o Chromecast mostra como o YouTube e outras aplicações de vídeo que temos num telemóvel ou tablet podem servir como fonte de conteúdos para uma televisão.

Desde que Sundar Pichai se sentou na cadeira de CEO da Google, é evidente o novo rumo que a empresa tomou. Apesar de não podermos comentar o que mudou internamente, é notória uma maior coerência entre os diversos produtos e serviços da multinacional norte-americana.  A divisão de hardware da empresa foi também reorganizada sob alçada do antigo presidente da Motorola, Rick Osterloh, que deixou a Lenovo para gerir o Nexus/Pixel, o Chromecast, o Glass, entre outros projectos. O dia 4 de Outubro será a primeira conferência com este novo departamento.

Mas afinal, o que é que a Google pode apresentar no dia 4?

  • dois novos telemóveis, os primeiros com a designação “Pixel” em vez de “Nexus”;
  • um tablet de 7 polegadas, fabricado pela Huawei, com um novo sistema operativo chamado Andromeda;
  • um portátil que pode ser transformado em tablet, chamado Pixel 3, também com sistema Andromeda;
  • o Chromecast Ultra, uma versão do Chromecast com suporte para vídeo 4K;
  • mais detalhes do Google Home, um assistente pessoal lá para casa;
  • os óculos de realidade virtual Daydream View.

Os primeiros telemóveis Pixel

Há uma grande diferença entre o iOS e o Android. Enquanto que o primeiro é desenvolvido pela mesma empresa que cria o hardware onde vai correr, o segundo é feito pela Google e corre numa panóplia de dispositivos de vários fabricantes. Os telemóveis Nexus, produzidos por parceiros como a LG ou Huawei e comercializados pela Google, parecem ser a forma encontrada da empresa “orientar” o mercado, de mostrar “como as coisas podem ser feitas”.

Os Nexus têm sempre o Android mais recente e são actualizados sempre que existe uma nova versão e, só por isso, reunem os fãs descontentes com as alterações que a Samsung e outras fabricantes fazem ao sistema operativo. Os preços acessíveis foram desde cedo outro chamativo, apesar de o cenário estar a mudar. Os Nexus 5X e Nexus 6P, apresentados no ano passado, foram disponibilizados a um preço entre 379 e 499 dólares, respectivamente.

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O Pixel X deverá custar 649 dólares e este será apenas um dos telemóveis Pixel que a Google deverá revelar no dia 4. Segundo o Android Police, terá um ecrã de 5 polegadas e sucederá, assim, ao Nexus 5X. A versão base deverá ter 32 GB de armazenamento. De acordo com outros rumores, o anúncio do Pixel X será acompanhado do do Pixel XL, uma opção de 5,5 polegadas que entra no território do Note 7, do Galaxy S7 Edge e do iPhone 7 Plus e que sucederá ao Nexus 6P. O Android Police não avançou qualquer detalhe quanto ao preço deste Pixel XL.

O mesmo Android Police referiu também que os dois telemóveis serão inteiramente em metal, sem plástico, e que o seu fabrico está a cargo da HTC. As especificações deverão ser iguais, com excepção do tamanho do ecrã, a resolução e a capacidade da bateria. No Pixel X, é esperado um ecrã de 5 polegadas, 1080p, um processador quad-core 2.0GHz a 64-bit, 4 GB de RAM, 32 GB de armazenamento, bateria de 2770 mAh, câmara traseira de 12 MP e frontal de 8, entrada para auscultadores, leitor de impressões digitais e USB-C. No Pixel XL, é possível que encontremos um ecrã QHD e uma bateria de 3450 mAh. Os dois equipamentos deverão ainda ser os primeiros com uma nova designação – “Pixel” em vez de “Nexus”.

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Os Pixel X e Pixel XL deverão representar uma nova fase para a Google. Em Junho, numa entrevista durante a Code Conference, Sundar Pichai disse que a empresa queria “ser mais opinativa relativamente ao design dos telemóveis”, procurando dar um novo fôlego aos seus equipamentos móveis. Pichai acrescentou que os novos Pixel/Nexus, habitualmente com a versão base do Android, poderão conhecer um sistema operativo aprimorado: “Vão ver-nos, espero, adicionar novas funcionalidades ao Android nos telemóveis Nexus”, comentou na altura. “Existe muita inovação ao nível de software que podemos adicionar.”

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Dito isto, o factor de diferenciação dos Pixel/Nexus deverá deixará de ser o facto de oferecerem a experiência base do Android OS para disponibilizarem uma experiência própria, exclusiva. Não é difícil lembrarmo-nos da Motorola quando estava nas mãos da Google, antes de ser vendida à Lenovo: os seus telemóveis, da linha Moto, traziam a versão mais recente do Android com uns tweaks aqui e ali que davam um novo sabor ao sistema operativo.

O Android e o Chrome OS vão ter um filho chamado Andromeda

Quem melhor que o vice-presidente sénior do Android, do Chrome e da Play Store para nos elucidar do que aí vem: “Anunciámos a primeira versão do Android há 8 anos. Tenho o sentimento de que daqui a 8 anos vamos estar a falar sobre o 4 de Outubro de 2016”, tweetou Hiroshi Lockheimer.

Então, porquê? Uma fusão entre o Android e o Chrome OS para suprimir o último já é falada algum tempo. Primeiro, estranhou-se: como é que um sistema operativo móvel conseguirá funcionar num computador, onde se requer o processamento de mais tarefas e de ferramentas mais avançadas? Depois, olhando para um Android que nunca foi bom em tablets e para um Chrome OS que nunca teve um vasto ecossistema de apps, percebe-se que o melhor dos dois mundo pode fazer sentido.

Chama-se Andromeda (ou vai chamar-se outra coisa qualquer) e deverá ser revelado neste dia D para a Google – equipando um novo tablet de 7 polegadas e um portátil ultra-fino, que poderá nascer batizado como Pixel 3. Não se sabe se o Andromeda será lançado para o já apresentado Pixel C, concorrente do Microsoft Surface e do iPad Pro.

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O tablet da Huawei que, segundo o 9to5Google, poderá ser lançado com a marca “Nexus” (esperem, o quê?), terá um ecrã de 7 polegadas e 4 GB de RAM, conforme já disse Evan Blass no Twitter, reconhecido pela qualidade dos leaks que publica. O 9to5Google acrescenta que a Google está a testar este novo Andromeda no Nexus 9, mas que não fará o lançamento público do sistema operativo para este equipamento.

Já o site Android Police explica que o Pixel 3 será um portátil ultra-fino com um ecrã de 12,3 polegadas, com processador Intel M3 ou i5 Core, 32 ou 128 GB de armazenamento e 8 GB ou 16 GB de memória RAM. Incluídos estarão também um sensor de impressões digitais, uma entrada de 3,5 mm para auscultadores, duas portas USB-C, suporte para caneta, colunas estéreo, quatro microfones, um teclado luminoso (no estilo MacBook), uma bateria de 10 horas e um trackpad com tecnologia háptico (aquilo a que Apple chama de “force touch”).

Quanto ao preço, deverá rondar os 800 dólares, segundo o mesmo site, que acrescenta que o objectivo comercial do Pixel 3 é o segmento dos utilizadores de MacBook Pro.

O Chromecast, agora com 4K

A lista da Google de coisas a apresentar no dia 4 de Outubro parece não ter fim. Um novo Chromecast com suporte para 4K parece igualmente estar nos planos, de acordo com o Android Police e com Evan Blass, no site VentureBeat. Deverá chamar-se Chromecast Ultra e a sua diferença relativamente ao já conhecido Chromecast será apenas o Ultra HD. O equipamento terá o mesmo aspecto e servirá para facilmente transmitir conteúdos de um telemóvel para o ecrã de uma televisão. O Chromecast é um pequeno dispositivo que se liga via HDMI ao televisor e comunica sem fios com os equipamentos que estão na mesma rede wi-fi.

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O preço deverá ser de 69 dólares, um “bocadinho” mais que o actual Chromecast (35 dólares), que continuará a ser vendido.

Mais detalhes do Google Home

Apresentado em Maio, na conferência I/O da Google, o Home é a resposta da Google ao Amazon Echo. Trata-se uma pequena coluna que podemos colocar numa estante ou num móvel lá de casa para nos ajudar em diversas questões e tarefas, desde o estado do tempo à gestão dos nossos electrodomésticos. O Google Home vem com o assistente pessoal Google Assistant, dotado de inteligência artificial.

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O Android Police diz que o Google Home será falado novamente no dia 4 para revelar mais detalhes como o preço (129 dólares) e a disponibilidade no mercado. A confirmar-se o valor adiantado, o Google Home será 40 dólares mais barato que o Amazon Echo, um produto que traz a voz robótica da Alexa.

Google Daydream View

Android 7.0 Nougat traz o Daydream, uma plataforma de realidade virtual integrada no sistema operativo que já temos nos nossos telemóveis. Quer isso dizer que podemos pegar num equipamento com Nougat e obter uma experiência de realidade virtual, parecida com a que a Samsung disponibiliza nos seus Galaxy. A diferença é que a sul-coreana criou uma plataforma de VR em parceria com a Oculus do Facebook, enquanto que a Google por sua vez decidiu criar o seu próprio sistema.

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O Daydream já tinha sido anunciado em Maio no I/O e chegou ao mercado com o lançamento do Nougat no final de Agosto. A questão é que para os utilizadores assistirem aos conteúdos de realidade virtual já criados ou que venham a ser criados para o Daydream precisarão de uns óculos especiais. A Samsung tem os Gear VR compatíveis com o S6, o S7 e outros. A Google deverá apresentar o Daydream View no dia 4 como um acessório aos seus Pixel X e Pixel XL.

Segundo o Android Police, o Daydream View (assim deverá ser o nome) vai custar cerca de 80 dólares (menos 10 dólares que os Gear VR).