Capitão Fausto no Coliseu de Lisboa em Dezembro


Depois de percorrerem Portugal de lés a lés, levando o seu último disco a festivais como o Vodafone Paredes de Coura, os Capitão Fausto regressam à cidade onde o tocaram pela primeira vez. Os Capitão Fausto Têm Os Dias Contados vai ser tocado dia 22 de Dezembro no Coliseu dos Recreios.

É a primeira vez da banda na sala lisboeta e mais um sinal da maturidade que Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha e Salvador Seabra atingiram, juntos. Os Capitão Fausto Têm Os Dias Contados quase que dá voz a uma geração: as letras sobre batalhas e maneiras más transformam-se em reflexões e desabafos sobre a nova crise dos vintes, num registo pessoal e honesto, embrulhado numa composição instrumental mais refinada.

É o terceiro registo dos Capitão Fausto, depois de Gazela (2011) e Pesar O Sol (2014). Vamos poder ouvi-lo novamente em Lisboa no dia 22 de Dezembro.

Lê o texto de apresentação do concerto, assinado pelo baixista Domingos Coimbra:

Fui abençoado, não sei se pela fortuna das circunstâncias ou por uma mão-invisível, por ter encontrado no Tomás, no Salvador, no Manuel e no Francisco a força que me fez superar o meu início de adolescência complicado com a morte da minha mãe.

Na realidade, foi mais do que isso. Mais do que encontrar uma força que não tinha, que na verdade só anos mais tarde me apercebi disso, encontrei uma razão de ser, que eventualmente todos encontramos com mais ou menos clarividência ou imediatismo.

Encontrei-a cedo. Chamemos-lhe uma razão de ser repartida. Por um lado já em miúdo decidi que queria fazer música e viver para isso, e por outro que só a faria se fosse com eles. É que para mim Capitão Fausto é mais sobre a força da amizade que nos une desde miúdos e não o facto de sermos uma banda. Um gangue. A cada dia que passa não sei se estou mais grato por estarmos a crescer como banda ou como amigos. E no bom que é, passados já vários anos, continuar a crescer uma amizade e eu a crescer com eles. Mas sobre bandas que crescem ou estão muito contentes pelos feitos que alcançam já todos vocês conhecem a lenga-lenga do obrigado e do auto-elogio humilde.

Quando soube que íamos tocar ao Coliseu, uma sala tão bonita e importante para as bandas Portuguesas, a minha primeira reacção foi pensar neles. Não na banda, não no futuro, neles. Há aqui um certo egoísmo da minha parte. No limite interessa-me mais a partilha deste momento com eles, no facto de ser mais uma história para acrescentar às nossas vidas. Um concerto, um disco, um festival, tudo são marcos que as bandas vão alcançando. O curioso é que todos nós temos a plena consciência da importância destes passos e de todo o trabalho que isso implicou e ainda implica. Muitas vezes dizem que não exteriorizamos isso e que devíamos ser mais efusivos a celebrar conquistas. Aquilo que me inspira neles os quatro é eu saber que eles sentem a felicidade das conquistas mas são sempre incrivelmente pragmáticos e directos ao assunto: “Boa, vamos ao próximo”. São pouco pavões no fundo. Já eu não sou pavão mas sou mais lamechas do que eles.

E por isso estaria a enganar-me se não reconhecesse que este é também um momento de partilha. Com o nosso crescimento acredito que houve uma geração que cresceu connosco. Os músicos às vezes demoram meses a fazer canções e quem as ouve fá-lo em minutos, assim de vez em quando. Há uma assimetria de informação. Todas as bandas dão uma importância muito maior aqueles minutos porque sabem tudo o que eles implicam. Quem ouve apenas gosta ou não gosta. Às vezes de uma forma terrivelmente, ou maravilhosamente, simples. É quase impossível agarrarem-se a elas como nós. Felizmente, desde 2011, muita gente se agarrou mais do que a esses minutos e de uma maneira ou de outra identificou-se com aquilo que fazemos e directa ou indirectamente cresceu connosco a ouvir a nossa música. Uma companhia. Ainda hoje vejo muitas caras conhecidas que já havia visto nas alturas do Gazela e do Pesar o Sol e a cada concerto reconheço caras antigas e outras novas já com lugar cativo. No fundo estamos todos a crescer e embora nunca ninguém consiga dar a importância que nós, egoístas, damos às nossas canções, a verdade é que muita gente se aproximou mais delas do que alguma vez imaginámos. E isso deve ser celebrado. Podemos chamar a este concerto no Coliseu de isso mesmo: Uma celebração.

Um obrigado a quem tem crescido connosco, um obrigado a quem nos ajudou a crescer, e da minha parte, um obrigado ao Tomás, ao Manuel, ao Salvador e ao Francisco por fazerem de mim um gajo feliz e completo, com ou sem Coliseu.

Foto: Nuno Diogo/Shifter