Na Islândia, os Vikings deram lugar aos piratas


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“Islândia, terra de vikings, prepara-se para uma invasão pirata.” Foi este o título que o Washington Post escolheu para um artigo acerca das próximas eleições no país. Não se trata de uma alegoria ficcional mas sim de uma realidade que se pode constatar no dia 29 deste mês.

Uma sondagem do Instituto de Investigação de Ciências Sociais da Universidade da Islândia para o jornal diário islandês Morgunblaðið, aponta que 22,6% dos eleitores vão votar no Partido dos Piratas. Segundo este estudo de opinião, mais de 1/5 dos eleitores islandeses vão confiar o seu voto no partido fundado por Birgitta Jónsdóttir. Esta formação política foi criada na Islândia em 2012 e advêm do movimento internacional Partidos Pirata.

Jónsdóttir, activista do Wikileaks, poeta, informática e que já ofereceu asilo a Snowden define o partido como uma força política que absorve o melhor que a esquerda e a direita têm. Uma coisa é certa, o seu poder eleitoral é resultado de um discurso anti-sistema, impulsionado pelos últimos acontecimentos no país. Além dos problemas económicos que o país atravessou nos últimos anos, que levou à prisão de vários banqueiros, a Islândia viu o então primeiro-ministro em funções, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, demitir-se após o rebentar o escândalo dos Panama Papers e ver o próprio nome envolvido nos documentos divulgados. Esta revolta política, económica e social levou ao surgimento de novos movimentos sociais que acolheram adesão por parte da população.

Ásta Helgadóttir, deputada do parlamento islandês pelo Partido dos Piratas, refere ao TF  que a definição de uma nova constituição para o país pode criar uma democracia mais significativa. Além disto, o partido está focado na descentralização do poder, no acesso à informação e nos direitos humanos. O partido, que não centraliza a sua acção na liberalização dos direitos de autor, considera ainda que não tem objectivos percentuais para estas eleições. “O importante é impulsionar algumas questões fundamentais, com 10% ou 40%, isso não é importante”, finaliza Helgadóttir.

Em caso de vitória do Partido dos Piratas, o movimento terá de estabelecer acordos com outras forças políticas com vista à governação do país.

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