Partido dos Piratas ainda pode formar Governo na Islândia


Este artigo é gratuito como todos os artigos no Shifter.
Se consideras apoiar o nosso trabalho, contribui aqui.

Apesar das sondagens apontarem para uma vitória animadora do Partido dos Piratas nas eleições islandesas, que decorreram este fim-de-semana, a verdade é que os resultados não foram tão positivos como se previa. Só através de um acordo, o Partido dos Piratas islandês poderá formar Governo.

Foi o Partido da Independência que conquistou o maior número dos eleitores – 29,0% – e o maior número de assentos parlamentares – 21. Segue-se o Movimento Esquerda-Verdes com 15,9% dos votos e 10 lugares no Parlamento. Por fim, também com 10 deputados eleitos, está o Partido dos Pirata – teve 14,5% dos votos. Os resultados oficiais das eleições podem ser encontrados aqui.

O futuro é ainda incerto para os islandeses. O Partido da Independência, de centro direita, não tem uma representação parlamentar que lhe permita formar um Governo estável sozinho. Mesmo aliando-se ao Partido Progressista, com o qual formou a coligação que permitiu o executivo cessante, não conseguirá vantagem parlamentar relativamente à esquerda – 40,5% dos votos e 29 deputados.

O Partido Progressista foi deveras castigado neste processo eleitoral na Islândia, na sequência da demissão do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson em virtude das revelações dos Panamá Papers. O partido perdeu 11 mandatos e teve o voto de apenas 11,5% dos eleitores.

À esquerda, encontramos o Partido dos Piratas, que apresenta uma coligação formada com o Movimento Esquerda-Verdes, o Movimento Futuro Brilhante e a Aliança Social-Democrática. Estas quatro forças políticas, de esquerda, reuniram o apoio total de 43,3% dos eleitores e 27 assentos parlamentares nas eleições que decorreram este fim-de-semana.

Fora das coligações à direita (40,5%) e à esquerda (43,3%), está o Partido da Regeneração, que, com os 36 lugares conquistados no parlamento islandês (com 63 lugares no total), pode ajudar ao desempate. Um dos responsáveis pelo Partido dos Piratas comentou no Twitter que “existem muitas possibilidades de coligação em aberto” e que há “muito trabalho pela frente”.

A Islândia foi a votos este fim-de-semana numas eleições legislativas antecipadas, anunciadas em Agosto, depois dos escândalos revelados pelos Panamá Papers e que levaram à demissão do primeiro-ministro. Em causa, estiveram situações de evasão fiscal que implicam vários elementos da classe política do país. Sigmundur David Gunnlaugsson foi obrigado a demitir-se em Abril mas os restantes membros do executivo mantiveram-se em funções.

Em Junho, as eleições presidenciais na Islândia deram a vitória a Gudni Johannesson, um político pouco conhecido e que fez campanha contra o sistema, apelando a reformas profundas no país.

Investimos diariamente em artigos como este.
Precisamos do teu investimento para poder continuar.