Wikileaks: uma década a revelar segredos não chegou para mudar o mundo


Foi a 4 de Outubro de 2006 que o Wikileaks nasceu. Neste dia, o wikileaks.org era registado na rede e dava-se inicio a uma caminhada difícil mas marcante na difusão pública e mediática de informação. Pela voz institucional pode definir-se a plataforma como uma organização multi-nacional de media, especializada na publicação e análise de milhões de dados oficiais de temas como a espionagem, guerra ou corrupção.

É impossível dissociar o Wikileaks do seu criador. Julian Assange, jornalista australiano que dá a cara pelo projecto e reside actualmente na embaixada do Equador em Londres, onde está exilado.

Na sua mais recente entrevista, ao jornal alemão Der Spiegel, publicação parceira do site, Assange não deixa escapar qualquer tipo de desagrado pelo trajecto de vida que escolheu apesar das complicações que se têm somado na sua vida. “Acreditamos no que estamos a fazer. É muito interessante e satisfatório. Quem trabalha no Wikileaks, partilha o mesmo sentimento que eu: se te empurram, tu empurras de volta.”

Nesta entrevista em jeito de balanço pelo 10º aniversário, Assange aborda algumas questões relacionadas com os leaks do Comité Nacional Democrata que mexeram com as primárias do partido. Julian rejeita qualquer intenção em danificar a imagem de Hillary Clinton, reiterando que se possuísse informação do Partido Republicano ou de Donald Trump, publicaria de igual forma.

Quando pedem ao porta-voz do Wikileaks para eleger os documentos mais importantes divulgados, a escolha recai sobre os documentos secretos da diplomacia norte-americana em 2010/2011, que são actualmente mais de 3 milhões. Quanto a componentes a melhorar, o destaque vai necessariamente para os recursos, que pelas palavras do responsável máximo limitam substancialmente a actividade.

Nestes 10 anos de actividade, o Wikileaks figurou dezenas de vezes na agenda pública global. Em 2010 dá-se o primeiro grande leak com a divulgação de dados referentes ao envolvimento dos Estados Unidos da América nas guerras do Afeganistão e do Iraque. No mesmo ano e com a parceria de orgãos de comunicação social como o New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde e El País, foram publicados os documentos já falados no parágrafo anterior. Nestes processos, uma das fontes mais mediáticas trata-se de Chelsea Manning, ex-militar dos Estados Unidos que foi condenado a 35 anos de prisão por ter fornecido mais de 700 mil documentos ao site Wikileaks.

Ao dia de hoje, a plataforma conta com mais de 10 milhões de documentos publicados e com uma presença muito activa no panorama politico. O papel da Wikileaks foi fundamental no desenho do mundo nos últimos anos, mas não chegou para mudá-lo. Não deixa, contudo, de existir um antes e um depois da Wikileaks. Já não sabemos apenas o que “eles” querem que saibamos.