Chegou o novo disco d’Os Velhos


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Os Velhos têm um novo álbum e chamaram-lhe Os Velhos. O disco homónimo é o segundo da banda e será apresentado dia 17 de Novembro no Musicbox, em Lisboa. Um dia depois será lançada a edição física mas quem quiser ouvir este novo trabalho já o pode fazer no Spotify ou iTunes.

Os Velhos é apresentado por três faixas – “Aberta Nova”, “Estrada Branca” e “Manso” –, todas com videoclipe associado. O álbum é uma edição conjunta da Amor Fúria e daFlorCaveira; e é composto por 9 canções, feitas ao longo dos últimos quatro anos e gravadas nos últimos dois no Estúdio Zeco pelo João Só.

Os bilhetes para o concerto de apresentação no Musicbox podem ser comprados à porta ou antecipadamente em bol.pt. O disco será oferecido com a entrada.

Os Velhos:

  1. “Aberta Nova”
  2. “Manso”
  3. “Aqui Parado”
  4. “Dorme”
  5. “Casa Comigo”
  6. “Preta”
  7. “Toda”
  8. “Calor”
  9. “Estrada Branca”

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Tiago Guillul, mentor da FlorCaveira, diz acerca da banda e do disco:

Há cinquenta o anos o rock’n’roll servia para colocar em risco os valores da família e no disco novo d’Os Velhos serve para o contrário: eles andam à rasca para a constituir. Pedidos de casamento, desejos de filhos, lareiras e praias sonhadas para a descendência. Ainda por cima, já não é só o Quica que faz estes pedidos num registo de lamúria gemida (ele antes não cantava assim…), é também o Sebastião em pose Dylan-New Morning de óculos e camisa branca que se junta ao clamor. O que é que deu a’Os Velhos?

O que no primeiro disco era bojarda tornou-se agora balada. Não há uma única canção rápida no novo disco. E a segunda guitarra que foi substituída por um órgão? Os Velhos fizeram jus ao nome e amoleceram? Nem por isso. Os Velhos tornaram-se uma banda que tornou o seu rock numa expressão real de fado. E por isso não é de estranhar que haja no registo mais suplicante da voz um resquício de Alfredo Marceneiro. Os Velhos mudaram a mobília da casa deles para que a mariquice viesse masculinamente assumida.

Ao contrário do primeiro disco, onde a voz estava na música d’Os Velhos como um tempero leve para a argamassa sónica (e que potência saía dali!), agora os instrumentos chegam-se para trás para a seguirem. Esta é logo a primeira e mais óbvia surpresa deste disco. As pessoas vão ter de agora dar ouvidos a’Os Velhos, quando no anterior precisavam apenas de se deixar levar por eles. Este é, por isto, o primeiro disco delicado de uma banda saudavelmente bruta. Mas o interessante é que o que Os Velhos procuram agora através da delicadeza produzir um efeito mais radical em nós que os ouvimos. Os Velhos ao darem mais devagar dão com mais força.

Curiosamente, este disco d’Os Velhos serve também para pôr um ponto final na editora Amor Fúria. Há alguma coisa que está a acabar aqui. De outra perspectiva, o disco dos Velhos também é editado pela FlorCaveira, confirmando que, independentemente das sensações sazonais, há que continuar na tradição da devoção e distorção. Os Velhos, que participaram na vaga da nova música que por estes dias alcança algum reconhecimento público, não fazem um disco de crista da onda porque preferiram navegar para águas profundas que não são vistas da praia. Na música deles ouvimos agora um rumor de Tom Petty (obrigado João Só, que gravaste o disco na perfeição!), de Black Crowes (e aquele embalo sulista) e até de Mingos e Samurais (haja coragem para elogiar o Veloso que nos pertence!). Enquanto os miúdos modernos surfam, os Velhos zarparam do Restelo para novos descobrimentos.

Aqueles que já viram os Velhos ao vivo sabem que eles não brincam. Não há conversa de chacha, não há cedência à emoção instantânea na audiência, não há discos pedidos. Os Velhos fazem o que acham que têm para fazer. Já vi Os Velhos em Musicboxes em explosão e já vi os Velhos em Sabotages em transe lento. Estou ansioso para ver os Velhos com este disco nas costas deles e no nosso coração. É das coisas mais emocionantes a acontecer na música e por isso vale a pena que lhes ofereçamos silêncio. Acreditem que se vai cantar este facto.

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