Jameson Urban Routes: EGBO + Gold Panda


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Depois de consumir umas fatias de pizza marotas, o máximo número de jolas a preço razoável cá fora e a quantidade suficiente de estupefacientes para o void certo, damos como aberta a melhor sessão do Jameson Urban Routes 2016. Sei que provavelmente para muitos não será a melhor – Wildbeats a esgotar e tantos outros nomes de peso no line-up – mas já queria espreitar o Gold Panda ao vivo há imenso tempo e o EGBO é a combinação perfeita para uma noite a abanar o esqueleto.

São duas ondas completamente diferentes, mas ambos vieram preparados para nos dar uma tareia de MPCs, precursões e samples. Continua a achar que EGBO funcionava melhor como ressaca logo depois a Gold Panda mas se não for assim, já sabemos que a malta baza toda depois do cabeça de cartaz e público para as produções nacionais fica escasso.

Depois, sabes que a noite vai correr bem quando os bilhetes dão direito a um wishkey e os teus amigos não o bebem. Sim é na boa, eu fico com isso. Sem gelo e direto para a coluna da direita, que o EGBO estava para aparecer. O projeto eletrónico do Iuri Landolt surge com o carimbo da recente editora Tsuno e é uma das melhores produções que ouvi este ano em Portugal. É pesado, dinâmico e progressivo. Os arranjos malha após malha metem o nojo suficiente para não me deixar sair do Musicbox sem aquela tape, para juntar à prateleira lá de casa.

Tive a sorte de já o ver ao vivo mais vezes e aparece agora mais maduro, mais confiante, e neste set, mais fiel ao novo álbum Yesterday You Said Tommorow. Normalmente toca acompanhado nos sintetizadores, mas desta vez as teclas eram só dele e a companhia surgiu apenas numa malha, com a voz de Solipso. A presença da voz leva-nos para um nível de jarda diferente. Solipso e EGBO faz sentido e esperamos por novidades em breve. Num set construído manualmente, houve tempo para tudo – pesi cola, mun shrm e malhas novas no final.

Apenas com tempo suficiente para ir trocar uma segunda senha do wishkey, começa nova jarda. A jarda de Gold Panda. E repito jarda, porque não há outra forma de descrever a intensidade deste set. Continuo na dúvida se metade do Musicbox estava preparado para este technão a uma quarta-feira. Mas no fim, acho que ninguém se importou.

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Provavelmente se este concerto fosse em 2011 a conversa era completamente diferente. E se calhar há malta que ainda está no Gold Panda de há 5 anos. Nos singles You ou Marriage, na onda mais chill e nas métricas menos pesadas. Mas a verdade é que o último disco Good Luck and Do Your Best entra por outros caminhos e até esses singles ganham outra vida, num set completamente techno.

E a parte porreira do Gold Panda 2016 é mesmo esta. O Derwin Schlecker mudou, melhorou e em palco não quer saber se concordas ou não com isso. Ele está lá em cima a partir tudo e como lhe apetece. Ou isso, ou não fui o único a aproveitar os wishkeys nesta noite.

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