O guia do que não podes perder neste Vodafone Mexefest


À 8° edição, já todos estamos familiarizados com o Vodafone Mexefest. Outrora Super Bock Em Stock, é o festival que aquece o Inverno lisboeta com alguns dos nomes mais sonantes da nova música. De 25 a 26 de Novembro, a Avenida da Liberdade vai voltar a mexer.

De Elza Soares a Nerve, há muitas promessas de bons concertos neste Vodafone Mexefest. Nem mesmo o cancelamento de Charles Bradley por motivos de doença perturbou a qualidade do alinhamento deste ano. Além de Elza Soares, há Talib Kweli, NAO, Whitney e Digable Planets nos principais destaques internacionais. Octa Push, Joana Barra Vaz, Luís Severo, Branko, Pernadas e Pedro Coquenão fazem as honras nacionais. Destaque ainda para a aposta no hip hop português, com um concerto especial de Nerve e Mike El Nite, um encontro invulgar de Keso com os Oliveira Trio e ainda a fervura de Fuse.

Desde a sua estreia em 2008, o então Super Bock Em Stock não parou de crescer. A primeira edição ocupou as duas salas do Cinema São Jorge, Teatro Tivoli, o Teatro das Variedades e o Cabaret Maxime com mais de 20 concertos – a maioria de nomes nacionais, como Rui Reininho, Deolinda. Os Pontos Negros e Norberto Lobo. Mas, nas noites frias de 3 e 4 de Dezembro de 2008, Lisboa vibrou também com The Walkmen e Marcelo Camelo, entre outros. O Vodafone Mexefest revitalizou-se com um novo naming sponsor em 2011, chegou a ter uma edição no Porto em 2012. Neste 2016, são mais de 50 concertos e cerca de 15 salas ao longo de toda a Avenida, do São Jorge à Estação do Rossio.

O Antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres, que em 2015 recebeu um mercado de música independente, foi substituído pelo Cine-Teatro Capitólio – histórica sala de espectáculos de Lisboa que vai ser reaberta para o Vodafone Mexefest para nele serem instaladas três salas: o Cine-Teatro, os Bastidores e o Terraço. Já no Teatro Tivoli BBVA nascerá um novo espaço: o Sótão situa-se atrás da área de projecção e estará aberta durante a madrugada.

Desaparecem a Igreja de S. Luís dos Franceses, o Ateneu Comercial de Lisboa e o Tanque, três salas que integraram o roteiro de 2015. Mantém-se o Palácio Foz, a Garagem EPAL, a Sociedade de Geografia de Lisboa, o Coliseu dos Recreios e a Casa do Alentejo.

As noites de 25 e 26 de Dezembro farão mexer a cidade e uma das suas principais artérias com uma correnteza de sons e de gente. Porque de um cartaz tão rico e diverso o difícil é escolher, destacamos não 5 concertos nem 5 artistas mas antes 5 momentos a não perder num festival com quase dois dígitos na idade. A programação completa do Vodafone Mexefest 2016 pode ser consultada aqui, distribuída por horas e salas. O mapa do recinto está aqui.

1 – a Elza Soares

Editou o seu primeiro álbum de músicas inéditas no ano passado, aos 79 anos, mas a sua carreira é uma história já imensa. A Mulher do Fim do Mundo é o nome desse registo, onde Elza Soares, considerada uma lenda viva da música brasileira, retrata a sua vida e as lutas pessoais. É uma história trágica, imensa de perdas, violência e pobreza, que, com a ajuda da música, se transformou num valente grito pelo direitos dos negros, das mulheres e da comunidade homossexual.

A Mulher do Fim do Mundo condensa toda a criatividade e competência de Elsa Soares – é uma bonita mostra de jazz, soul, samba, funk e muitos outros géneros. À voz de Elsa juntaram-se alguns dos mais irreverentes e talentosos músicos brasileiros, como Kiko Dinucci (guitarra), Rodrigo Campos (cavaquinho), Marcelo Cabral (baixo), Romulo Fróes (composição), Felipe Roseno (percussão), Celso Yes (que com Romulo responsabilizou-se pela direção artística) e Guilherme Kastrup (produção e bateria).

No dia 26 de Novembro, o Coliseu dos Recreios vai receber Elza Soares, a sua banda e o seu A Mulher do Fim do Mundo. Não somos de intrigas, mas é coisa para encher, por isso convém aparecer cedo à porta. E porque no Vodafone Mexefest temos de estar sempre a olhar para o relógio, importa referir que o concerto está previsto acontecer entre 22h10 às 23h20.

2 – o menu internacional

Elza Soares merece um destaque especial, mas há, sem dúvida, outros nomes lá de fora a não perder por cá, neste Vodafone Mexefest. Destacamos cinco:

a) NAO

O nome vai dar aso a piadas óbvias junto ao Coliseu dos Recreios entre as 22h20 e as 23h10. NAO é Neo Jessica Joshua. Estudou jazz na Guildhall School of Music & Drama, em Londres, começando a sua carreira profissional acompanhando, em coros, nomes como Kwabs e Jarvis Cocker. Durante seis anos e até 2014 fez parte do grupo a capella The Boxettes. No entanto, a sua capacidade interpretativa rapidamente se fez notar, e com os EPs lançados em 2014 e 2015, escalou nas mais ouvidas na BBC e foi galardoada com o “Best New Music” pela Pitchfork Media. Foi a voz de “Superego”, um hit enormíssimo dos Disclosure.

Fazedora de um funk misturado com electrónica e R&B, NAO estreou-se este 2016 nas edições com o imperdível For All We Know. Um disco que confirma o talento de Neo Jessica Joshua e que será apresentado em Lisboa na noite de 25 de Novembro.

b) Talib Kweli

De  Brooklyn, chega-nos Talib Kweli, para se apresentar ao público lisboeta logo no primeiro dia 25 de Novembro, entre as 21h45 e as 22h45. Vai ser uma boa desculpa para conhecer o renovado Cine-Teatro Capitólio, ou não estivéssemos a falar de um dos mais admirados letristas e MCs dos anos 1990 para cá.

Com os rappers Mos Def e Hi-Tek, Talib Kweli constituiu o afamado trio Black Stare e juntos editaram um brilhante título homónimo. Depois de cada um seguir trilhos em nome próprio, Kweli começou a trabalhar com pares como Kanye West, o produtor Madlib ou a dupla The Neptunes. São vários e recomendáveis os discos de Kweli, muitos a contarem com colaborações de nomes como Common ou o próprio K-Dot. Indie 500 é o trabalho que traz consigo a Lisboa. Foi editado em 2015 com o produtor 9th Wonder.

c) Jagwar Ma

A dupla australiana Gabriel Winterfield e Jono Ma, acompanhados ao vivo pelo conterrâneo Jack Freeman, são os Jagwar Mar. Apresentam-se mais uma vez em Portugal, desta vez na capital: Coliseu dos Recreios, 25 de Novembro (da 0h25 à 1h30).

Com o impulso do disco de estreia de há 3 anos, Howlin, os Jagwar Mar consagraram-se como das bandas sensação e com mais impacto no público e na crítica independente do momento. Howlin é um espantoso combo de canções a vibrar de psicadelismo, rock, synth e electrónica; e foi a premissa para partilharam palcos com os Foals, os The XX e os Tame Impala.

Em 2016 oferecem mais do mesmo porque a fórmula é imbatível e contagiante. De volta às edições discográficas, regressaram com Every Now & Then.

d) Whitney

Whitney não é apenas o nome que o guitarrista Max Kakacek e o cantor-baterista Julien Ehrlich resolveram dar ao seu projecto musical. É, igualmente, uma espécie de terceiro elemento, uma identidade imaginária mas que pesa para a inspiração do par de Chicago.

O disco de estreia destes dois amigos, Light Upon the Lake, é uma belíssima coletânea de canções e mais uma prova da riqueza musical deste 2016. Resulta de muitas horas de partilha e as composições acabam por sonora e narrativamente revelarem relações que ambos os músicos coincidente e simultaneamente terminaram. Em estúdio, Max Kakacek e Julien Ehrlich contaram com a ajuda do líder dos Foxygen, Jonathan Rado.

As melodias dos Whitney procuram furtar aos anos dourados do rock o som fino e clássico, mas transportando-o para os nossos dias, acrescentando-lhe uma contemporaneidade esparsa de arranjos. É ver e ouvir no Teatro Tivoli BBVA no dia 26 de Novembro (das 23h00 às 23h50); satisfação garantida ou devolvemos o dinheiro. Quer dizer… não devolvemos porque  não temos nada a ver com isso…

e) Digable Planets

Os Digable Planets já são antigos. Nasceram no início dos anos 1990 em Nova Iorque e espantaram tudo e todos com o single “Rebirth Of Slick (Cool Like Dat)”, um clássico jazz-rap que se mantém como imagem de marca do grupo e que foi incluido no LP de estreia, Reachin’ (A New Refutation of Time and Space). Com o disco de estreia venceram um Grammy e, embalados pelo êxito, assombraram ainda mais com um segundo lançamento, mais orgânico nos arranjos mas sempre a misturar o jazz com o rap, chamado Blowout Comb (1994).

Entretanto, todos os elementos seguiram carreiras em nome próprio. Reuniram-se este ano (já o tinham feito no passado) para alguns concertos e o Vodafone Mexefest fez parte da selecção do  trio constituído por Butterfly (Ishmael Butler), Ladybug (Mary Ann Vieira) e Doodlebug (Craig Irving). Vai ser na noite de 26 de Novembro na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge (a partir das 23h30 e até às 0h30).

3 – a crew portuguesa

Podemos dizer, sem medos, que 2016 tem sido um ano fantástico para a música portuguesa e alguns dos nomes que mais se ouviram e propagaram nas rádios, feeds e jornais ao longo dos últimos meses vão estar no Vodafone Mexefest. Recomendamos estes seis:

a) Bruno Pernadas

A música de Bruno Pernadas é de uma geometria incomparável. Estruturada, pensada ao milímetro, é também feita de leveza pop e melodiosa para viciar. Um vício para saciar no dia 25 de Novembro no Teatro Tivoli BBVA, entre as 21h00 e as 22h10.

Bruno Pernadas começou a estudar guitarra clássica aos 13 anos, passando mais tarde pela Escola Superior de Música de Lisboa e pelo Hot Club de Portugal. Depois de em 2014 se ter estreado nas edições com um brutal How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge, em 2016 voltou a surpreender se bem que já tinha provado o seu génio. Editou não um mas dois discos: Worst Summer Ever apresenta-nos um registo todo jazz; e Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them é um puzzle multicolorido de géneros (soul, jazz,  lounge  oriental, krautrock, pop… entre outras).

Pernadas não faz tudo sozinho. Tem na sua “equipa” alguns dos mais reconhecidos músicos da nova geração pop-folk lusa: João Correia (Tape Junk, Julie & The Carjackers), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout) ou Margarida Campelo (Julie & The Carjackers), para citar alguns.

b) Luís Severo

O Vodafone Mexefest é feito de escolhas e uma delas vai ser entre Bruno Pernadas ou Luís Severo. É isso ou sair mais cedo do primeiro para chegar ao Palácio da Foz (aka Sala Delta), onde o segundo estará a mostrar o seu talento das 21h40 às 22h30. Isto no dia 25, claro.

Com o nome O Cão da Morte, Luís Severo começou ainda adolescente a mexer na música, tendo vindo a lançar desde 2009 uma montra de registos que concedem ao artista uma identidade única no panorama musical português. Em 2014, uniu-se a Coelho Radioactivo para apresentar canções e performances na estrada enquanto Flamingos. Em 2015 é o ano em que O Cão da Morte morre de amores pela pop que outrora experimentou e agora consolida a solo, renascendo com o apelido materno seguindo o nome próprio.

Produzido pelo próprio, com a ajuda de Filipe Sambado, Cara d’Anjo pode ser considerado o quarto longa duração de Luís Severo; revela a maturidade do músico e transparece a sua qualidade enquanto letrista. Editado em Outubro último, o disco conta com a participação da sua banda – Bernardo Álvares (baixo e contrabaixo), Ricardo Amaral (guitarras), Luís Barros (bateria) e Filipe Sambado (percussões) – e com intervenções especiais de Júlia Reis (das Pega Monstro), Coelho Radioactivo, Vaiapraia e Primeira Dama.

c) Pedro Coquenão

Se há pouco te perguntavas o que se ia passar no Sótão do Teatro Tivoli BBVA a resposta segue dentro de momentos: Pedro Coquenão no dia 25; Irmãos Makossa no dia 26. Ambos de madrugada: a partir da meia-noite e até às 2 da manhã. Sem parar.

Pedro Coquenão despe-se do seu alias Batida e promete dar uma festa daquelas na a antiga sala de projeção do Cinema Tivoli. Ao seu lado, vai estar Spoek Mathambo, produtor sul africano que Pedro tão bem conhece. Partilham o facto de serem dois dos artistas mais relevantes na nova cena afro-electrónica global, e já partilharam projectos de cinema e música.

No Vodafone Mexefest vão estar lado a lado como DJs – isso, sim, uma estreia.

d) Octa Push

Continuamos na onda eléctrónica, desta vez num registo mais alargado, não restricto à cena afro. Falamos dos Octa Push. A sua música funde o que de melhor se pode retirar das influências da música lusófona com ligações aos PALOP, com os ritmos mais urbanos.

Os irmãos Bruno e Leonardo Guichon fazem música há cerca de dez anos, mas só em 2008 decidiram dar corpo e alma aos Octa Push. Oito, o álbum de estreia, chegou em 2013, confirmando o potencial da dupla de Carcavelos/Lisboa como um dos projetos mais criativos e arrojados da música nacional, tendo conquistado o título de álbum do ano para a imprensa especializada. Em 2016, os Octa Push regressam mais fortes do que nunca com novo trabalho de originais. Língua é um disco obrigatório, escrito quase inteiramente em português. É uma homenagem à música lusófona, feita nos últimos 40 anos, com a colaboração de convidados tão ilustres e ecléticos como Batida, Maria João, Tó Trips (Dead Combo), João Gomes (Orelha Negra), Cachupa Psicadélica, Cátia Sá (ex-Guta Naki), Ary (Blasted Mechanism), entre outros.

Depois de terem já pisado palcos internacionais, os Octa Push prometem agora conquistar o público do Vodafone Mexefest. Dia 26 de Novembro na Estação Ferroviária do Rossio, que se transformará na Estação Vodafone FM. Vai começar às 23h30 e terminar à 0h30.

e) Joana Barra Vaz

Mudamos de dia e de estilo. Joana Barra Vaz é realizadora de vídeos (como Meu Caro Amigo Chico, 2012), é co­-fundadora do projecto A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, é ainda letrista, e professora de música. Aprendeu piano mas na guitarra é autodidata.

Este ano, apresentou Mergulho Em Loba, um disco de 12 temas e a continuação de uma trilogia iniciada em 2002 com o EP Passeio Pelo Trilho. O talento para a composição é o Ás de trunfo de Barra, aliando às belíssimas letras paisagens folk com electrónica temperada. Para conhecer ou apreciar na Casa Alentejo (ou Sala Toyota Chr) no dia 26 de Novembro, entre as 20h00 e as 20h50. O jantar vai ter de atrasar.

f) Branko

Um dos timoneiros dos Buraka Som Sistema e mentor da label Enchufada, Branko é o nome de código de João Barbosa. Produtor, compositor, visionário e embaixador pelo globo fora da música de dança feita em Portugal, nas suas mais variadas linguagens, editou no ano passado o seu Atlas e este ano uma nova edição do mesmo trabalho, intitulada Atlas Expanded.

Foi nesta edição que Branko incluiu “Reserva Pra Dois”, um dueto mágico e vencedor com Mayra Andrade, que juntou também o dom da palavra de Kalaf. O trabalho que marcou a estreia a solo do produtor português resulta de uma viagem sonora, que para além de Lisboa, passou por São Paulo, Cidade do Cabo, Nova Iorque e Amesterdão, e durante a qual Branko trabalhou com artistas emergentes. Estas viagens deram depois origem à série documental de cinco episódios, Atlas Unfolded.

Rosto do activismo da Global Club Music, nome ligado à BBC Radio 1, à Red Bull Music Academy e às Hard Ass Sessions, Branko vai montar todo este puzzle musical no Coliseu dos Recreios. Dia 26 de Novembro, a partir das 0h30 e até às 2h00.

4 – o hip hop tuga a representar

Dois dos nomes no género hip hop que mais destacamos este ano no Shifter vão passar pelo Vodafone Mexefest. Nerve vai estar ao lado de Mike El Nite, num encontro obviamente improvável, e Keso conhecerá o Oliveira Trio, numa mistura igualmente invulgar. Destaque ainda para Fuse, o veterano dos Dealema.

a) Mike El Nite + Nerve

Esta junção deixa-nos nervosos. Depois de actuações individuais na edição anterior do Vodafone Mexefest, Mike El Nite e Nerve voltam este ano, desta vez num espectáculo especial, em formato duplo, com vários convidados e novidades que não querem revelar já. Vamos ter de esperar pela noite de 25 de Novembro e, mais uma vez, deixar o jantar para mais tarde. É que Mike El Nite e Nerve não vão esperar por ninguém: começa às 20h25 e termina às 21h25. Onde? No novíssimo Cine-Teatro Capitólio.

Com letras entre a euforia e a amargura, tanto Mike El Nite como Nerve têm provas dadas no circuito do rap português, com álbuns representativos do que de melhor se tem produzido a nível nacional. Mike El Nite com Justiceiro e Nerve com um título mais longo: ‘Trabalho & Conhaque’ ou ‘A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança’.

Neste espetáculo, pisarão o palco juntos pela primeira vez, está garantida uma sessão de poesia ácida carregada de sarcasmo sobre instrumentais de batidas e baixos potentes.

b) Keso + Oliveira Trio

A Ciência Rítmica Avançada volta a montar laboratório no Vodafone Mexefest pela mão de Rui Miguel Abreu, um dos mais enérgicos e entusiastas divulgadores de hip hop do nosso país, e que em 2015 foi responsável pela curadoria de uma das noites do festival.

No dia 26, a Garagem EPAL (ou Garagem Super Bock) vai estar por sua conta. A partir das 22h20 e até às 23h00, Keso vai juntar-se ao Oliveira Trio. Depois é ficar na sala, porque Fuse vai agarrar-nos até o relógio passar a meia-noite.

Keso, rapper do Porto, protagonizou outro dos fenómenos discográficos do ano com KSX2016, um álbum de qualidade superior que o motivou a enfrentar vários palcos em modo solitário, conseguindo uma proeza idêntica à que, por exemplo, Nerve mostrou ao mundo em 2015, no Vodafone Mexefest precisamente: a de ser capaz de encher o palco com apenas um microfone e a força de palavras que não têm paralelo no nosso país, de tão únicas. Mas ao Vodafone Mexefest, Keso traz uma proposta inédita e em estreia absoluta: apresenta-se à frente do Oliveira Trio, grupo da Discos Dinamite que com órgão, guitarra e bateria tem causado estragos onde quer que haja uma pista de dança encerada e um sistema de som capaz de aguentar a sua força clássica.

c) Fuse

Fuse, o veterano dos Dealema, chega do Porto e é um dos mais sérios casos de culto no nosso país. Um artista adorado e admirado por muitos, que há anos vem atormentando os fãs com a espera pelo sucessor do mítico registo Sintoniza. Esse álbum chega em Dezembro, terá por título A Caixa de Pandora e terá a sua pré-apresentação em Lisboa no Vodafone Mexefest, numa noite que se prevê de proporções míticas por todas as razões, mais as que Fuse não se coibirá de apresentar: versos duros como concreto e negros como a noite, peso de verdade e consequência, arte refinada por anos de batalha na estrada.

A não perder: Fuse na Garagem EPAL, das 23h10 à meia-noite. No dia 26, claro.

5 – as surpresas Vodafone

A Vodafone gosta de enriquecer a experiência dos festivaleiros. É assim a norte no Vodafone Paredes de Coura e mais a sul no Vodafone Mexefest. Nesta edição, destacamos três acções da marca que se juntam a outras duas que já fazem parte do ADN do festival: o Vodafone Band Scounting (iniciativa que vai seleccionar duas bandas para actuar no festival) e o Vodafone Bus, um dos palcos de maior sucesso do festival, que apresenta duas bandas nacionais enquanto circula pela Avenida da Liberdade: Fugly (dia 25) e 800 Gondomar (dia 26).

a) Concertos Surpresa Vodafone

A cada edição do festival, o público é surpreendido por música em formatos e em locais inusitados que encontra ao longo do seu percurso. Este ano os Concertos Surpresa Vodafone vão levar a música a toda a gente. Em cada dia de festival realiza-se um espectáculo de que ninguém está à espera, com o nome do artista, o horário e o local a serem revelados apenas umas horas antes do mesmo acontecer. Mas as surpresas não se ficam por aqui: estes concertos são abertos ao público e não apenas a quem tem pulseira do festival. Sabendo que tudo acontece no eixo Avenida da Liberdade-Rossio, para assistir basta ficar atento e aparecer no sítio certo, à hora certa.

b) Vodafone Vozes da Escrita

A spoken word chega este ano ao Vodafone Mexefest com as Vodafone Vozes da Escrita, sessões de leitura protagonizadas por artistas nacionais bem conhecidos do público. Sendo este um festival urbano, os convidados desta iniciativa, que no Vodafone Mexefest acontece pela primeira vez, são nomes que fazem das palavras rimas, e das rimas canções. Repertórios de aguçada acutilância feitos pelo incontornável Carlão, pelos hip hoppers Mike el Nite e Fuse e pela enérgica Da Chick. Para o Vodafone Mexefest, os quatro artistas vão preparar sessões inéditas em torno de textos que podem incluir poesia, letras de canções, excertos de romances, crónicas, histórias e autores vários. Os nomes estão anunciados, os horários e as salas onde serão as actuações prometem surpreender os espectadores. A não perder.

c) Vodafone Cuckoo

Nesta edição, a varanda central do Coliseu dos Recreios vai transformar-se em um palco do festival com a acção Vodafone Cuckoo. Como num relógio que toca sempre à hora marcada, quando o Vodafone Cuckoo soar anuncia-se a chegada de um músico para uma performance exclusiva. O elenco do Vodafone Cuckoo será anunciado em breve.