10 anos de ‘A Weekend in the City’, o segundo dos Bloc Party

Ah, os Bloc Party urgentes, vitaminados, imberbes, os Bloc Party de "Helicopter" e de "Banquet"...

Ah, os Bloc Party urgentes, vitaminados, imberbes, os Bloc Party de “Helicopter” e de “Banquet”, os que em Portugal só estiveram em Paredes de Coura e se não estiveste lá devias ter estado!

Serve esta introdução para sublinhar aquilo que dividiu os fãs de uma das brandas mais celebradas da década passada: uns quiseram ver evolução, outros acusaram o bocejo. A dez anos de distância fica mais fácil perceber: A Weekend in the City é mesmo o início do fim da relevância dos Bloc Party que ainda em 2016 protagonizaram uma penosa atuação no Super Bock Super Rock. A mudança para um som adulto não correu bem, alienou alguns fãs e a viragem eletrónica que se seguiu só sentenciou a banda que a certa altura foi apontada como o futuro do rock londrino.

A menção a Londres não é por acaso já que A Weekend in the City é um relato, que não se decide cerebral ou emocional, sobre o lado mais negro da cidade. Referências aos ainda frescos ataques bombistas da Al-Qaeda ao centro da cidade, paragens noturnas por bares, fugas de fim semana à mais luminosa Brighton, a barulhenta Northern Line, o “vampiresco Lado Este da cidade”, o racismo (tomando como exemplo uma história real em “Where is Home”).

Enquanto Lily Allen e o grime relatavam o que viam, Kele Okereke fazia-o colocando o dedo na ferida. Passa pela contemporaneidade de algumas coisas que por aqui são ditas o grande feito do segundo álbum da banda. Exemplos? “Hunting for Witches”, “Uniform” e “Where is Home” (que rendeu uma celebrada versão remixada).

É de classificar A Weekend in the City na secção dos álbuns políticos? “Pop songs won’t change the government”, atiram eles em “Uniform”, mas a resposta é: sim. Por fim, não há como não mencionar “Flux”. Estão aqui todas as pistas para um futuro que renegava o passado sem volta a dar.