Cientistas de Harvard dizem ter criado o primeiro hidrogénio metálico da Terra

Caso estes resultados sejam autenticados, poderemos estar diante do "Santo Graal da física da alta pressão".

 
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Cientistas da Universidade de Harvard afirmam ter criado hidrogénio metálico, algo que foi idealizado há cerca de 80 anos e que muitos têm tentado desde então mas sem sucesso.

Isaac Silvera e Ranga Dias pensam ter consigo obter a primeira amostra de hidrogénio metálico na Terra, ao pressionar uma pequena amostra de hidrogénio entre duas pontas de diamante com 495 GPa (cerca de 5 milhões quilograma força por centímetro quadrado), o que corresponde a uma pressão superior a que se encontra no centro da Terra.

Estes investigadores prevêem que este hidrogénio metálico seja estável. Isso significa, como Silvera explica, que “se a pressão for retirada da amostra, esta continuará metálica, de forma similar aos diamantes, que após serem produzidos a partir da grafite a altas pressões e temperaturas, continuam diamantes quando estas pressões e temperaturas são retiradas”.

Perceber se o hidrogénio metálico é de facto estável é fundamental, uma vez que se prevê que este novo material seja superconductor à temperatura ambiente. Dada a resistência zero dos supercondutores, o hidrogénio metálico pode assim revolucionar o actual sistema de transporte, já que seria possível criar comboios de alta velocidade por levitação magnética, tornar os carros eléctricos mais eficientes ou mesmo melhorar a performance de vários dispositivos eléctricos.

Mais ainda, o hidrogénio metálico poderia ser utilizado como propelente de foguetões, o que permitiria uma exploração mais profunda do espaço. Como Silvera explica, “é preciso uma quantidade tremenda de energia para produzir hidrogénio metálico. Se for possível convertê-lo para hidrogénio molecular, toda essa energia seria libertada, tornando-se no mais poderoso propelente de foguetões até agora conhecido”.

No entanto, existe muito cepticismo em torno destes resultados, com vários investigadores a duvidarem deste feito. De acordo com vários especialistas, não é claro se o material brilhante que se vê na imagem acima será mesmo hidrogénio. Alexander Goncharov, do Instituto Carnegie para a Ciência, diz que o material brilhante observado poderá ser o óxido de alumínio utilizado para cobrir as pontas de diamante usadas na experiência, e que poderá comportar-se de maneira diferente a altas pressões.

A medida da pressão durante a experiência também levanta dúvidas. Segundo os investigadores de Harvard, a medida da pressão é feita através de uma calibração imprecisa, o que significa que Silvera e Dias poderão estar a sobrestimar a pressão alcançada durante a experiência. A comunidade científica realça assim a necessidade de realizar mais medidas antes de se confirmar a criação de hidrogénio metálico.

Porém, a verdade é que a confirmação destes resultados, publicados na revista Science, poderá significar um avanço histórico na física da alta-pressão, um feito que muitos cientistas têm tentado ao longo dos últimos 80 anos. Como anuncia Silvera, podemos mesmo estar diante do “Santo Graal da física da alta pressão”.

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