‘Myths of the Near Future’, dos Klaxons, faz 10 anos. E a new-rave também

Álbum de estreia da banda britânica saiu a 29 de Janeiro de 2007.

18 anos depois da última rave (e da queda do Muro de Berlim), o género movido a ecstasy que provou que toda a gente pode dançar estava de volta com o prefixo “new”. Lembram-se? Aquele rótulo que nos ofereceu um dos mais pobres catálogos da história dos sub-géneros? New York Pony Club? Hadouken?

Mas regressemos a 1989, o Verão mais quente em muitos Verões, a Inglaterra da irredutível Tatcher que o descontrolo juvenil haveria de ajudar a derrubar. Essa é uma Inglaterra que pouco ou nada tem a ver com a Inglaterra dos Klaxons, embora se jure a pés juntos que as roupas coloridas tenham feito um efémero regresso.

Em Janeiro de 2007, o Reino Unido ainda tem Blair como Primeiro-Ministro e o Verão não traz calor mas sim inundações. E, ainda que compreensivamente comparados aos Happy Mondays e aos Stones Roses, estas canções parecem criadas por miúdos e para miúdos que não fazem a mínima ideia do que se passou no Hacienda no final da década de 80. Para quem assiste, os Klaxons são uma pedrada no charco. Melhor sustentamos esta ideia se acrescentarmos que o termo foi cunhado pelo NME (que, a propósito, também o enterrou algures em 2008) e o quarteto foi criado pouco mais de um ano antes deste Myths of the Near Future.

Isto não quer dizer que os Klaxons se tenham atirado a estas canções sem um propósito definido. Myths… é um álbum conceptual sobre a visão do futuro pela banda. Se é o suficiente para justificar o Mercury Prize? De todo, mas, vá, como resistir ao riff que é uma sirene em “Atlantis to Interzone” ou a uma letra tão ridículo que é boa como a de “Totem on the Timeline”:

At club 18-30 i met Julius Caesar
Lady Diana and Mother Theresa

Não me interpretem mal, os Klaxons foram divertidos. Foram a banda sonora de 2007 para muitos putos que só queriam uma desculpa para dançar sem ter que sair com os amigos que frequentavam festas/raves de clubes como o Loft, o Queens ou o… Hacienda Klub (Amora, Seixal). A propósito, estes espaços ainda existem? E os Klaxons?