Samsung explica “tim tim por tim tim” o que se passou com o Note 7

Todos erramos. Há erros que têm consequências mais profundas que outras.

Todos erramos. Há erros que têm consequências mais profundas que outras. Mas o melhor que temos a fazer é sempre reconhecer, pedir desculpa e olhar para o sucedido como uma oportunidade para aprender e melhorar. Foi o que a Samsung fez.

Baterias defeituosas fabricadas por duas empresas diferentes tramaram a tecnológica sul-coreana no lançamento do Galaxy Note 7 no ano passado. Apresentado no início do Verão e elogiado depois pela imprensa, este telemóvel era aguardado por todos aqueles que gostam de ecrãs grandes e que, desde o início, admiram a linha Note. O Galaxy Note 7 tinha tudo para ser o fim de ano perfeito para a Samsung, depois do lançamento dos modelos Galaxy S7 em Março. Mas quando a primeira leva de unidades chegou à casa dos consumidores no final de Agosto, começaram a surgir relatos por alguns consumidores de que os seus recém-adquiridos equipamentos tinham começado a arder.

A Samsung agiu de imediato. Pediu a recolha dos Note 7 vendidos e à troca dos equipamentos afectados por novos. Ao mesmo tempo, suspendeu a comercialização do produto. O caso podia ter ficado resolvido aqui se a segunda leva de unidades, com baterias de um novo fabricante, não tivesse levantado uma nova onda do mesmo problema. A produção do Note 7 foi parada e os consumidores que tivessem uma unidade de substituição foram aconselhados a desligá-la. “Globalmente, até à data, 96% dos três milhões de dispositivos vendidos e activados foram devolvidos”, referiu DJ Koh, presidente da divisão móvel da Samsung, numa conferência de imprensa, na madrugada deste domingo, para anunciar a conclusão das investigações internas que tinham sido abertas.

O executivo da tecnológica sul-coreana explicou que as baterias para os primeiros Note 7 saíram de fábrica com o eléctrodo negativo mal posicionado, causando a flexão dessa parte do componente durante o uso e em último caso um curto-circuito. Já as baterias para as unidades de substituição do Note 7 tinham um problema de fabrico interno, nas soldaduras – a Samsung referiu ter encontrado, nos Notes 7 recolhidos, baterias sem um isolador a separar os eléctrodos negativos dos positivos.

“Peço desculpa a todos os clientes, operadores, retalhistas, distribuidores e parceiros de negócios”, disse DJ Koh. “Nos últimos meses, em conjunto com entidades independentes especialistas desta indústria, realizámos uma investigação rigorosa para identificar a causa dos incidentes verificados com o Samsung Galaxy Note 7.” Não foram revelados os nomes das duas empresas responsáveis pelo fabrico das baterias defeituosas.

É muito difícil um caso como estes voltar a repetir-se, mas a Samsung está a tomar uma série de pedidas preventivas para garantir que não existirá de forma alguma réplicas. De acordo com uma nota de imprensa, “a Samsung implementou uma série de processos de controlo de qualidade e segurança, com vista a assegurar a segurança dos produtos, incluindo protocolos adicionais, tais como medidas de segurança multi-camadas e um processo de verificação de segurança da bateria, composto por oito critérios”. A empresa acrescenta que “formou um Grupo de Aconselhamento Sobre Baterias (Battery Advisory Group) composto por conselheiros externos, académicos e investigadores especialistas”.

O próximo grande lançamento da Samsung será o Galaxy S8, linha que costuma ser apresentada anualmente no Mobile World Congress, em Barcelona. Rumores recentes sugerem que o topo-de-gama será lançado mais tarde.