Yolocaust: uma sátira às fotos felizes num memorial de guerra


A massificação do turismo combinada com a febre das selfies e as suas consequências têm sido nos últimos anos terreno fértil para produção artística independente – das ilustrações satíricas de Joan Cornellá a outros registos mais moderados que se multiplicam por toda a internet, todos procuram evidenciar o absurdo inerente a este tipo de comportamento.

Um comportamento casual que serve metáfora para o tempo das camâras e de todas as atenções voltadas para nós próprios em que ignoramos o contexto que nos rodeia.

Shahak Shapira é mais um dos artistas a pegar nesta premissa. No seu mais recente projecto Yolocaust, o artista de origem israelita a viver em Berlim, modifica fotografias tiradas no famoso Memorial aos Judeus Mortos na Segunda Guerra Mundial da capital europeia, colocando-as em confronto directo com a realidade que outrora marcou aquele local.

Num local com cerca de 10 mil visitantes por dia, muitos são os que se esquecem da história do local e é sobre esses que Shahak direciona a sua sátira.

O resultado é uma experiência interactiva intrigante e uma chamada de atenção séria para a forma como lidamos com a história e com as suas representações simbólicas.

Na próxima vez em que pensares em tirar uma selfie perto de um monumento ou escultura, certifica-te de que conheces a sua história e de que respeitas a sua realidade.