Depois de a Uber perder 200 mil utilizadores, CEO deixa conselho de Trump

Elon Musk mantém-se no grupo de conselheiros de Trump.

Travis Kalanick, CEO da Uber, e Elon Musk, CEO da Tesla, aceitaram ambos o convite para integrar a equipa de conselheiros de negócios do atual presidente norte-americano. Mas, depois de a Uber ter perdido 200 mil utilizadores, Kalanick decidiu abandonar o grupo de Trump.

O final de Janeiro não foi fácil para a Uber nos Estados Unidos. A seguir ao decreto de Trump de suspensão da entrada de cidadãos provenientes de sete países de maioria muçulmana e de todos os refugiados nos EUA até à reformulação dos critérios que servem de base à concessão de vistos, inúmeros utilizadores da Uber ameaçaram apagar as suas contas. A hashtag #DeleteUber tornou-se popular nas redes sociais, com milhares de pessoas a tweetarem screenshots do processo de eliminação da sua conta Uber.

Tudo começou em sequência dos protestos que aconteceram no passado fim-de-semana no aeroporto JPK, contra a decisão de Trump. Enquanto a Aliança dos Trabalhadores de Táxi de Nova Iorque anunciou, no sábado, uma pausa nos serviços em solidariedade para com todos os que foram proibidos de entrar em solo americano, a Uber decidiu retirar a tarifa dinâmica no aeroporto JPK, baixando significativamente o preço das viagens naquela área. A medida não foi bem vista pelos utilizadores e foi a gota de água que faltava para fazer transbordar a polémica. 

O #DeleteUber ganhou tracção pela proximidade de Travis Kalanick, CEO da tecnológica de transportes, a Trump, apesar do desagrado do executivo com as políticas de restrição à imigração do novo Presidente norte-americano. Numa publicação no seu Facebook, horas antes do polémico tweet da Uber, Kalanick tinha comprometido-se a debater o assunto com Trump esta sexta-feira.

A reunião entre o CEO da Uber e o Presidente dos EUA não terá chegado a acontecer, tendo tido lugar a uma breve conversa como referido numa nota interna de Kalanick: “Falei hoje brevemente com o Presidente acerca do seu decreto sobre imigração e os problemas para a nossa comunidade. Informei-o também que não posso participar no seu conselho económico”.

A saída de Kalanick terá resultado da pressão dos funcionários da empresa e dos clientes da Uber, nomeadamente da perda de 200 mil utilizadores. No mesmo comunicado, o executivo salientou que a sua integração no conselho de Trump não significava necessariamente “uma validação do Presidente ou da sua agenda, mas, infelizmente, foi mal interpretado”.

O mesmo argumento foi utilizado por Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, que mantém a sua posição na equipa de Trump. Num tweet partilhado esta sexta-feira, Musk reforça a sua intenção de criar um mundo energicamente mais sustentável e de transformar a Humanidade numa civilização multi-planetária.

A decisão de Donald Trump relativamente à imigração provocou a reacção de inúmeras tecnológicas preocupadas com o impacto da medida nos seus quadros. Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, foi inclusive um dos primeiros a reagir. Seguiu-se Sundar Pichai, CEO da Google, que anunciou um fundo de 4 milhões de dólares para causas relacionadas com a imigração. O Twitter prestou através do Periscope uma pertinente homenagem aos imigrantes norte-americanos. Apesar de toda a polémica – ou em resposta a esta –, a Uber reservou 3 milhões para ajudar os funcionários afectados pela proibição de Trump.